Início Notícias Marcas

Ventos de mudança na Gucci

A Gucci, responsável pela maior parte do lucro operacional da empresa-mãe Kering, divulgou há muito tempo que as vendas em declínio eram o resultado do esforço de deslocar a marca ainda mais para o topo do mercado, bem como dos desafios sentidos ao nível comercial, particularmente na China. Decidindo ser este o momento para uma mudança no topo, a Kering promoveu Marco Bizzarri, responsável da divisão de alta-costura de luxo e artigos de couro, para tornar-se diretor executivo da Gucci a partir de janeiro. Ele substitui Patrizio di Marco, que liderou a marca durante quase seis anos. Por seu lado, Frida Giannini, diretora criativa da Gucci, vai deixar o seu posto no final de fevereiro, ao fim de oito anos. Di Marco e Giannini são casados e têm uma filha. Bizzarri, um italiano que juntou-se à Kering em 2005 como diretor do negócio Stella McCartney, é creditado pelo desenvolvimento da Bottega Veneta – reconhecida pela sua intricada técnica de tecelagem de couro – numa das marcas mais fortes e mais rentáveis do sector. Atualmente, a Bottega Veneta é a segunda maior contribuidora em termos de vendas e lucros para a Kering, que também controla a marca de artigos de desporto Puma e a marca de luxo Saint Laurent. O presidente executivo e do conselho da Kering, François-Henri Pinault, assumiu o comando interino da divisão de alta-costura de luxo e artigos de couro até à nomeação de um novo executivo. Analistas e investidores referem que a Gucci eliminou demasiados dos seus produtos mais facilmente acessíveis e aumentou os preços de forma excessiva. «A Gucci irá beneficiar de novas ideias e nova energia. A chave para permanecer relevante nos produtos de luxo é a contínua reinvenção», afirma Luca Solca, analista de bens de luxo no Exane BNP Paribas. Com base no desempenho das vendas, alguns analistas argumentaram que rivais como Burberry e Louis Vuitton realizaram um melhor trabalho na reconstrução e desenvolvimento de uma imagem exclusiva. As vendas da Gucci caíram 3,5% nos primeiros nove meses de 2014, para os 2,53 mil milhões de euros, enquanto o crescimento das receitas nas rivais Burberry e Hermès manteve-se acima dos 10% durante esse período. Todo os grandes fabricantes de produtos de luxo têm sido afetados pela pior queda nos gastos em cinco anos, na medida em que as preocupações com o crescimento económico e os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia reduziram a procura por parte de chineses, russos e europeus. As grandes marcas também têm vindo a sofrer da fadiga de marca, à medida que os consumidores favorecem cada vez mais os nomes de nicho que possuem uma distribuição mais limitada.