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Verão cinzento também nas exportações

Junho trouxe uma queda acentuada nas exportações da indústria têxtil e vestuário. No mês que marca o início do verão, os envios baixaram 12,72%, arrastando os números dos primeiros seis meses para uma diminuição de 1,55%. Com a Europa a cair, os EUA foram o mercado que mais se destacou pela positiva.

No sexto mês do ano, as empresas portuguesas da indústria têxtil e vestuário venderam menos 60,6 milhões de euros do que em junho do ano passado, baixando o total exportado para 415,9 milhões de euros. A queda foi sentida especialmente nas categorias da lã (-28,79%), tecidos de malha (-26,2%), algodão (-19,9%), outros artefactos têxteis confecionados, que engloba a maior parte dos têxteis-lar (-19,6%) e vestuário e seus acessórios, de malha (-11,6%).

Esta quebra teve repercussões no acumulado do primeiro semestre, que terminou com uma diminuição de 1,55% nas exportações, para um total de 2,68 mil milhões de euros, o que representa uma perda de 42,3 milhões de euros face ao período homólogo de 2018.

Considerando este lapso temporal, as baixas foram sentidas essencialmente nas categorias lã (-16,1%), filamentos sintéticos ou artificiais (-12,1%), algodão (-11,7%), outros artefactos têxteis confecionados (-4,9%) e tapetes e outros revestimentos (-4,6%).

Pela positiva, destaca-se o aumento, entre as categorias mais representativas, das pastas (ouates), feltros e falsos tecidos (+9,7%), dos tecidos de malha (+3,1%), das fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (+2,9%) e do vestuário e seus acessórios, exceto de malha (+2,6%).

EUA compram mais

Foram os envios intracomunitários os grandes responsáveis pela diminuição dos valores das exportações, com Espanha, o nosso principal mercado, a reduzir as suas compras em 9,3% em junho, equivalente a uma perda superior a 13 milhões de euros só neste mês. As categorias mais afetadas por esta “falta de apetite” dos espanhóis pelo “made in Portugal” foram o vestuário e seus acessórios, de malha (-7,9%, equivalente a menos 5,1 milhões de euros) e outros artefactos confecionados, que engloba a grande maioria dos têxteis-lar (-25,6%, correspondente a 4 milhões de euros).

No que concerne aos primeiros seis meses do ano, as vendas para Espanha baixaram 3,1%, para 821,6 milhões de euros. A queda foi extensível também a França (-2,1%, para 355,1 milhões de euros), Alemanha (-4,8%, para 227,4 milhões de euros) e Reino Unido (-3,8%, para 197,5 milhões de euros). Itália, por seu lado, continua a crescer, embora com abrandamento (+2,1%, para 171,2 milhões de euros).

O ponto brilhante das exportações são os EUA, que reforçaram as suas compras em 12%, equivalente a mais 17,3 milhões de euros. As categorias outros artefactos têxteis confecionados, que contempla a maior parte dos têxteis-lar, foi a que mais cresceu em termos absolutos, representando um aumento de 7,6 milhões de euros (+17,1%) face aos primeiros seis meses de 2018, para 51,7 milhões de euros. Seguiram-se as pastas (ouates), feltros e falsos tecidos (mais 3,1 milhões de euros, equivalente a um crescimento de 19,8%) e tecidos de malha (mais 3 milhões de euros, que representa um incremento de 50,8%).

No que diz respeito às importações, houve um aumento de 5,1% entre janeiro e junho deste ano em comparação com o período homólogo de 2018, tendo rondado os 2,2 milhões de euros.