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Verão deu mais cor à H&M

A popularidade de suas linhas estivais ajudou a retalhista sueca a registar o maior crescimento de vendas em moeda local nos últimos três anos, mas as suas ações caíram ontem face às preocupações com as margens de lucro.

Houve eco de um relatório da Inditex (ITX.MC), a maior retalhista de moda do mundo, onde o crescimento dececionante das margens ofuscou um forte aumento das vendas nos números do primeiro semestre divulgados na semana passada pelo grupo detentor das lojas Zara.

A H&M anunciou que as vendas antes da movimentação da moeda cresceram 8% entre junho e agosto, o terceiro trimestre, em relação a igual período do ano anterior. Foi o quinto aumento trimestral consecutivo e a ritmo mais rápido evidenciado desde o terceiro trimestre de 2016.

«Coleções de verão bem recebidas e maior quota de mercado confirmam que o grupo H&M está no caminho certo com seu trabalho de transformação», refere a H&M em comunicado. A retalhista sueca, no entanto, apontou que os níveis de atividade relacionados ao seu projeto de mudança – esforços para reanimar o negócio – mantiveram-se em alta neste trimestre, um sinal de que os investimentos em lojas físicas e online afetaram novamente as margens.

«Com o crescimento da gama superior alimentada pelo investimento em preço e pela proposta omnicanal, acreditamos que os investidores possam mostrar-se prudentes com os números do terceiro trimestre [que serão divulgados] a 3 de outubro, onde acreditamos que a alavancagem seja limitada», indicam analistas de Berenberg, que têm uma recomendação de venda sobre as ações, citados pela Reuters.

Vendas no bom caminho?

As ações da H&M subiram cerca de 50% este ano, na expectativa de que a segunda maior retalhista de moda do mundo retorne aos trilhos, depois de anos de lucros em queda devido à desaceleração das vendas nas lojas das suas principais marcas e investimentos para se adaptar a uma concorrência mais feroz e hábitos de compra em mudança.

As ações ainda estão sendo negociadas bem abaixo do pico de 369 coroas (cerca de 34,58 euros) de 2015 e muitos analistas continuam cautelosos, aguardando sinais mais claros de recuperação. A Berenberg afirma que o crescimento em moeda local correspondeu às expectativas mas, com um crescimento de 12% em junho, caiu para cerca de 6% em julho e agosto.

As vendas líquidas aumentaram mais que o esperado, em 12%, para 62,6 biliões de coroas suecas. Os analistas previam, em média, uma subida para 61,9 biliões de coroas, segundo dados da Refinitiv. O analista da RBC, Richard Chamberlain, considera que a H&M provavelmente beneficiou de uma recuperação no seu maior mercado, a Alemanha, depois de problemas com um novo sistema de logística, que atrasaram as vendas no ano passado, e com o lançamento do seu programa de fidelidade.

Oferta alargada a marcas externas

A H&M anunciou também ontem que sua cadeia de moda epónima, responsável pela maior parte das receitas do grupo, vai testar a venda de marcas e produtos externos. Algumas das marcas menores e mais recentes do grupo, como & Other Stories e Arket, já comercializam uma seleção de marcas externas, além de seus próprios produtos.

Uma mudança destas para a marca principal, com 72 anos, representa uma mudança significativa na estratégia e um possível passo para concorrer diretamente com retalhistas online multimarca, como a alemã Zalando ou a britânica Asos. Um porta-voz da empresa explicou que complementar a marca H&M com marcas externas ao grupo poderá atrair novos compradores, mas recusou dar mais detalhes sobre a iniciativa.