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Verticalidade é trunfo da J. Pereira Fernandes

Começou com os cobertores mas a J. Pereira Fernandes cobre agora não só a produção de artigos para a cama, mas também para a mesa e cozinha, numa estratégia que beneficia da integração vertical da empresa, que abarca todos os processos, do fio à confeção.

Eduardo Fernandes

Com uma história que recua a 1933, a J. Pereira Fernandes destaca-se pela capacidade produtiva que tem dentro de portas, que engloba da fiação à confeção.

«Em fiação, temos uma capacidade de 400 toneladas por mês em fio de algodão», revela Eduardo Fernandes, a terceira geração envolvida no negócio fundado pelo seu avô. Já na produção de roupa de cama, a capacidade é de 100 mil jogos mensais. «Depois temos panos de cozinha, as toalhas de mesa,…», acrescenta.

Os artigos com fios tintos são uma referência – «é o nosso forte», assegura Eduardo Fernandes –, sendo que, na confeção, «grande parte é subcontratada».

Investimento contínuo

Com um efetivo de 210 trabalhadores, a J. Pereira Fernandes tem apostado na automatização dos processos e feito diversos investimentos. «Somos 210 pessoas porque estamos com um parque de máquinas atualizado», afirma o responsável do departamento comercial. Recentemente, a empresa adquiriu novas cardas e renovou parte da fiação e da tecelagem. «Nos últimos três anos a maior parte dos teares foram renovados. Também adquirimos engomadeiras, urdideiras e máquinas de tinturaria. Fizemos novos armazéns para termos melhores condições de trabalho», adianta ao Jornal Têxtil.

Recentemente, a empresa, que habitualmente participa na Heimtextil, esteve pela primeira vez na Guimarães Home Fashion Week. «Temos de apostar, temos que estar cá fora. A nossa forma de evoluir é fazer uma comparação de como está o mercado. Estar presente. Não é só receber os clientes, mas também ver em que ponto é que estamos», garante.

Mercados de oportunidades

Os EUA são o principal mercado da empresa, representando 60% de toda a produção da J. Pereira Fernandes. «Depois vem a Europa, sobretudo Alemanha e França. Também temos alguma coisa para os países nórdicos», aponta Eduardo Fernandes. Para Portugal, a empresa vende sobretudo «excedentes de fio de algodão».

Com os mercados «um bocado estranhos», incluindo os EUA, porque os clientes americanos «vão para outros países com mão de obra barata», como a Turquia e a Índia, Eduardo Fernandes reconhece que «não podemos ficar adormecidos, temos que reagir». Como tal, a estratégia da produtora de têxteis-lar passa por «procurar novos acabamentos – tivemos uma evolução muito grande em termos de produto, com novos desenvolvimentos – e por estar mais presentes».

Em termos de mercados, «o Japão é apetecível em produtos muito específicos e de valor acrescentado», afirma. Arábia Saudita, Coreia do Sul e Austrália são igualmente países onde tem havido um crescente interesse. «Não são clientes de grandes quantidades mas são clientes que aceitam os preços», sublinha.

Para 2019, apesar «da instabilidade do mercado», as expectativas são boas. «Estamos a contar que seja um ano positivo», resume Eduardo Fernandes.