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Vestuário americano mais otimista

A indústria de vestuário dos EUA está, surpreendentemente, otimista em relação às perspetivas para o resto de 2020. Uma nova previsão avançada pelo Institute for Supply Management coloca este sector como dos poucos a antecipar um aumento do volume de negócios, ao contrário da indústria têxtil.

Um inquérito aos executivos de compras e aprovisionamento publicado no Spring 2020 Semiannual Economic Forecast do Institute for Supply Management (ISM) conclui que a produção, volume de negócios e gastos e utilização de capital nos EUA deverão contrair substancialmente este ano devido à pandemia.

No geral, o volume de produção de 2020 poderá cair em média 10,3%, o que é 15,1% mais baixo do que o aumento de 4,8% antecipado em dezembro para 2020 e 12,2% inferior à subida de 1,9% reportada em 2019 face a 2018.

O impacto económico da pandemia deverá levar a uma queda de 19,1% nos gastos de capital, uma redução esperada de 1,6% para os preços pagos pelas matérias-primas e uma decida de 5,3% do emprego até ao final do corrente ano.

«Com 15 das 18 indústrias do sector da manufatura, incluindo cinco dos seis maiores sectores industriais, a preverem quedas no volume de negócios para 2020, os participantes no painel antecipam que a recuperação provavelmente não irá ocorrer até ao final do ano», resumem Timothy Fiori, presidente do Comité do Inquérito ao Negócio Manufatureiro, e Anthony S. Nieves, presidente do Comité do Inquérito do Negócio Não-Manufatureiro.

EPIs alavancam crescimento

Duas das indústrias que esperam crescimento no volume de negócios em 2020 são a do vestuário, couro e produtos conexos e a dos produtos alimentares, bebidas e tabaco. Entre as 15 indústrias que estimam queda das receitas está a indústria têxtil.

A previsão otimista para o sector de produção de vestuário e artigos em couro resulta da sua capacidade de adaptar a produção para equipamentos de proteção individual (EPIs) quando as lojas foram forçadas a fechar e as encomendas se ressentiram, a que se junta o potencial de novos negócios agora que o retalho começa a reabrir.

Na indústria não-manufatureira, os inquiridos de 18 indústrias esperam uma queda de 10,4% no volume de negócios, que é 13,8% menos do que o aumento de 3,4% antecipado em dezembro. Estas incluem agricultura, transportes e armazenamento, assim como o comércio a retalho. «Todas as 18 indústrias esperam uma diminuição do volume de negócios, uma reviravolta dramática face a 2019, quando 17 das 18 indústrias previam aumentar o volume de negócios anual», explica Nieves.

Produção reduzida

Os gestores de compras e aprovisionamento na indústria manufatureira revelam que as suas empresas estão atualmente a operar, em média, a 75,9% da sua capacidade normal – menos 7,8% do que em dezembro. As oito indústrias que estão a operar ao nível da capacidade instalada ou acima da média de 75,9% incluem a do vestuário, couro e produtos conexos.

A capacidade produtiva na manufatura deverá baixar 3,6% em 2020, em comparação com um aumento de 3,1% em 2019. No vestuário, couro e produtos conexos, no entanto, é esperado um aumento de capacidade de produção, enquanto na indústria têxtil as expetativas são de queda. Também o retalho antecipa uma diminuição da sua capacidade.

Quatro indústrias manufatureiras deram conta de um aumento nos preços das matérias-primas na primeira parte do ano, incluindo a indústria têxtil, mas o contrário é esperado pela indústria de vestuário, couro e produtos conexos, que aponta uma diminuição dos preços. O mesmo sucede com retalho, que também refere uma baixa nos preços.

Os inquiridos anteveem uma diminuição média dos preços de 1,6% em 2020, em comparação com o final de 2019. Entre as sete indústrias que antecipam um aumento dos preços está, contudo, a têxtil. Os executivos da indústria não-manufatureira esperam que os preços subam, em média, 3,9% relativamente à reta final de 2019. Já o vestuário, couro e produtos conexos, assim como o comércio a retalho deverão sentir uma redução dos preços, de acordo com os inquiridos.

Quanto ao volume de negócios, a tendência antecipada é de decréscimo, com os executivos de compras e de aprovisionamento a preverem uma redução de 10,3% no caso da indústria manufatureira – uma queda que representa menos 15,1% em comparação com o aumento de 4,8% previsto em dezembro. A indústria têxtil insere-se nesta tendência geral. Já a indústria de vestuário, couro e produtos conexos antecipa um aumento do volume de negócios.