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Vestuário dá a mão aos trabalhadores

A indústria do vestuário é atualmente uma das mais comprometidas com a erradicação do trabalho forçado na cadeia de sourcing global, de acordo com as conclusões de uma pesquisa realizada pelo projeto Know the Chain.

No ano passado, o Know the Chain – projeto que visa entender e abordar abusos na cadeia de aprovisionamento – classificou 60 empresas dentro dos três sectores de alto risco – vestuário, alimentação e bebidas e tecnologias da informação – segundo os seus esforços para erradicar o trabalho forçado nas respetivas cadeias de aprovisionamento globais.

O relatório do Know the Chain concluiu que as empresas de vestuário tendem a estar mais avançadas nos seus esforços, enquanto as empresas de alimentação e bebidas ficam para trás. Estas conclusões, analisa o portal Just-style, refletem o diferente nível de pressão dos media e da sociedade civil em relação a cada um dos sectores.

A Adidas tem vindo a liderar os esforços para erradicar o trabalho forçado no sector do calçado, mas o relatório descobriu que a maioria das empresas ainda tem um longo caminho a percorrer. A Belle International, principal retalhista chinesa de calçado, por exemplo, ficou entre as marcas com pontuação mais baixa. Em média, as pontuações sectoriais ficaram abaixo de 50/100, revelando uma margem significativa para melhoria nos três sectores sujeitos a análise.

«À medida que a consciencialização pública sobre o trabalho forçado nas cadeias de aprovisionamento foi crescendo, as regulamentações que exigem que as empresas tomem medidas foram surgindo e estas últimas estão a ser obrigadas a maior transparência e a melhores medidas legais», afirmam os autores do relatório do Know the Chain. «Simplificando, as empresas, em qualquer um dos sectores, não podem continuar a dar-se ao luxo de a ignorar esta questão», explicam.

O relatório destacou exemplos de boas práticas e elogiou marcas como a Nike e a Primark pelas suas iniciativas de envolvimento dos trabalhadores ao longo de toda a cadeia e a Adidas e a H&M pelo trabalho que têm vindo a desenvolver em prol da liberdade de associação dos trabalhadores. No entanto, o relatório fez uma série de recomendações às associações empresariais e aos investidores sobre as medidas futuras para combater os riscos de trabalho forçado.

Ouvir os trabalhadores

Os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU exigem especificamente que a indústria e as associações multissetoriais se baseiem no respeito pelos padrões relacionados com os direitos humanos para garantirem a disponibilidade de mecanismos eficazes que possam receber queixas e reclamações. Essas associações têm a responsabilidade de apoiar o envolvimento dos trabalhadores ao longo da cadeia de sourcing, proporcionando mecanismos que lhes permitam ter uma voz e que essa voz seja ouvida.

Desenvolver projetos para apoiar e capacitar os trabalhadores

O trabalho forçado ocorre geralmente nos primeiros níveis da cadeia de aprovisionamento, inclusivamente ao nível das commodities. As associações podem ajudar as empresas a entender e abordar os riscos de trabalho forçado nos níveis mais baixos (incluindo o apoio às empresas no rastreamento das suas cadeias de fornecimento) e exigir especificamente que as empresas lidem com os riscos desde o começo da cadeia.

Desenvolver padrões comuns e responsabilizar as empresas

As associações podem desempenhar um papel fundamental na melhoria dos padrões em toda a sua base de associados. Podem fazê-lo revendo e atualizando regularmente os seus padrões e, crucialmente, responsabilizando os seus membros. Quando as associações têm mecanismos públicos de prestação de contas, há o benefício adicional de se recompensar as empresas líderes, disseminando exemplos de boas práticas.

«Os trabalhadores estão no cerne desta questão e raramente são envolvidos como parte da solução», admitiu Felicitas Weber, líder do projeto Know The Chain. «Ao destacar lacunas e exemplos de melhores práticas, esperamos que este relatório incentive as empresas de todos os sectores a envolverem os trabalhadores e a capacitá-los, assim como a oferecerem soluções quando necessário», concluiu.