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Vestuário da Guatemala aumenta exportações para os EUA

A indústria do vestuário da Guatemala quer consolidar a posição no mercado norte-americano face à concorrência dos seus vizinhos Nicarágua, Honduras e El Salvador e, sobretudo, do rival Vietname, que está a aumentar a sua quota nos EUA.

A Guatemala prevê duplicar o crescimento das exportações de vestuário este ano, tendo em conta as encomendas dos EUA e o investimento em impulsionar a produção de fio sintético para ajudar os seus vizinhos da América Central na fabricação de roupas mais na moda, revelaram executivos do país ao just-style.com durante uma feira de sourcing para vestuário que decorreu recentemente no país.

«Cinco investidores chineses estão à procura de terras para implementar fábricas de produção de microfibras», adiantou Alejandro Ceballos, presidente da associação de vestuário local, a Vestex.

Estes investimentos são importantes para fazer crescer a procura por vestuário de desporto e outros produtos de valor acrescentado, que cada vez mais são acabados em hubs na Nicarágua e nas Honduras.

Segundo Ceballos, a América Central tem uma falta de 100 milhões de toneladas de fios sintéticos e outros têxteis, o que faz com que as marcas americanas tenham que pagar mais 30% de taxas para fabricar no âmbito de um acordo de comércio livre que os EUA têm com esta zona do mundo (DR-CAFTA).

O dirigente associativo espera que a Guatemala atraia muito do investimento necessário para conseguir colmatar esta lacuna, porque tem custos muito mais reduzidos do que os seus vizinhos Nicarágua e Honduras, mas um tratamento de esgotos mais caro.

Deste modo, a Guatemala poderá ver a sua taxa de crescimento de expedição de vestuário duplicar para 15%, com uma correspondente subida em exportações para 1,8 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros). «A Guatemala está cada vez mais a transformar-se num fabricante de têxteis e menos num centro de vestuário», afirmou Ceballos. «As nossas 220 fábricas estão a trabalhar acima da capacidade e o investimento está a deslocalizar-se para a Nicarágua, Honduras e El Salvador, onde os salários fixos são 50% abaixo do nosso», revelou.

No entanto, a pressa da Guatemala em encerrar esta questão está relacionada com a concorrência do Vietname, que continua a preocupar os produtores, que podem ficar em dificuldades caso a nação asiática continue a ganhar quota nos EUA. O Vietname exportou, em 2017, 31,2 mil milhões de dólares (26,7 mil milhões de euros) em têxteis e vestuário, um aumento de 10,2% face ao ano anterior, sendo que o país espera vender para os mercados externos 34,5 mil milhões de dólares (29,5 mil milhões de euros) este ano, tendo em conta um enfoque cada vez maior em mercados como a Austrália e a Rússia. O Vietname, aliás, estima exportar 200 mil milhões de euros (171 mil milhões de euros) de têxteis e vestuário em 2035.