Início Notícias Tecnologia

Vestuário de desporto ganha leveza

As marcas de desporto estão a lançar novos produtos infundidos de inovação, mas sem comprometer a performance. A Reebok selecionou o grafeno para criar artigos mais quentes, mas leves, enquanto a Puma desenvolveu uma nova tecnologia que permite ter a camisola de futebol com o peso mais baixo de sempre.

Reebok [©Reebok]

A Reebok está a usar grafeno – um material forte, leve e com características térmicas – para criar peças ligeiras, mas quentes para a estação fria. O material – que valeu a Andre Geim e Konstantin Novoselov o Prémio Nobel da Física em 2010 – está a ser estampado num padrão de grelha na camada interna das peças de vestuário. Segundo a Reebok, as áreas que têm este estampado retêm 8% a 15% mais calor, dependendo do têxtil de base.

A marca do grupo Adidas integrou a tecnologia Thermowarm+Graphene, como a batizou, em várias peças de vestuário de desporto, incluindo leggings, casacos e camisolas com capuz, sobretudo nas zonas onde a retenção de calor é mais necessária, como os capuzes, os painéis de ombros e a área da coxa, onde o corpo tende a perder calor mais rapidamente.

Para Chandler Frost, diretor sénior de produto da Reebok, «estamos a catapultar o vestuário para o futuro», uma vez que «a tecnologia Thermowarm+Graphene revoluciona como a nossa roupa de inverno vai manter os consumidores aquecidos», permitindo que «fiquem mais quentes nas temperaturas frias do inverno sem sacrificar a performance, a função ou o estilo».

Puma dá rapidez ao futebol

Sem grafeno, mas igualmente inovadora, a Puma desenvolveu a tecnologia Ultraweave que permite criar as camisolas para futebol mais leves de sempre, com ganhos ao nível da velocidade para os jogadores.

A camisola tem uma estrutura de base, feita em poliéster reciclado com a tecnologia dryCELL, que pesa apenas 72 gramas, com a redução extrema de peso a ser conseguida através de um tecido leve com grande elasticidade que, segundo a marca que é parcialmente detida pelo grupo Kering, «irá tornar os jogadores e as equipas Puma mais rápidos e mais dinâmicos».

Puma [©Puma]
A própria construção da camisola é diferente, reduzindo os habituais quatro a oito painéis para apenas dois painéis principais, diminuindo assim a quantidade de costuras na camisola, e a técnica de estamparia usada permite obter estampados de logótipos mais leves e respiráveis do que os transfers convencionais, indica a Puma.

«Os nossos atletas queriam algo mais leve e rápido para os ajudar a conseguir ganhos marginais necessários ao mais alto nível. Isso resultou em quatro anos de desenvolvimento e ensaios para conseguirmos a camisola de futebol mais leve que alguma vez fizemos», revela Stefano Favaro, diretor criativo de desportos de equipa na Puma. «O desporto é definido por milésimos de segundo. Por isso, identificámos o vestuário como o produto que poderíamos evoluir para um outro nível. Sentimos que podíamos dar aos nossos jogadores e equipas um benefício tangível na performance ao longo de 90 minutos. Durante um jogo, os jogadores cobrem em média 10 a 13,5 quilómetros com ações de alta intensidade a cada 60 segundos. Para terem uma performance ao nível ótimo durante um jogo, o vestuário tem de se adaptar e evoluir. Através da Ultraweave, fomos capazes de reduzir o peso do vestuário e do kit e as restrições para melhorar a performance», acrescenta.

A tecnologia foi já testada pela seleção italiana a 6 de outubro, durante o jogo contra Espanha na Liga das Nações.

Impulso à inovação

A inovação tem sido, de resto, uma aposta das marcas de desporto, como prova o Nike Sport Research Lab, o novo laboratório de investigação da Nike, que ocupa agora o quíntuplo da área da versão anterior.

Nike Sports Research Lab no LeBron James Innovation Center [©Nike]
O espaço, que irá acolher investigadores de biomecânica, especialistas em robótica, designers computacionais e peritos em patentes e equipamentos de última geração, incluindo a maior instalação de captação de movimento com 400 câmaras, fica situado no novo LeBron James Innovation Center, em Oregon, nos EUA.

«Na forma convencional de criar um produto, iriamos diretos a uma matéria-prima, arranjávamos um molde, costurávamos e depois estava feito. Aqui podemos ir a qualquer coisa, da biologia à química, para alargar os limites de uma máquina de forma a criar uma experiência muito distinta com a matéria-prima», afirma Janett Nichol, vice-presidente de inovação no vestuário da Nike.