Início Notícias Vestuário

Vestuário de proteção ao raio-X perde chumbo

Um consórcio que integra a Lemar e a Onwork (PPS2 – AN3) desenvolveu vestuário de proteção para profissionais e utentes sujeitos a raios-X capaz de proteger da mesma forma que os tradicionais aventais, mas sem utilizar chumbo e conferindo maior leveza e conforto. Os produtos, em fase de homologação, devem chegar ao mercado em breve.

A eliminação do chumbo – um material tóxico e pesado – deste tipo de vestuário era um dos objetivos do projeto, que juntou também a Polyanswer, o CITEVE, a Faculdade de Engenharia (FEUP), a Faculdade de Ciências e o ICETA – Instituto de Ciências, Tecnologias e Agroambiente, os três últimos instituições da Universidade do Porto.

Mais especificamente, avançou Salomé Soares, investigadora da FEUP, a meta desta atividade, enquadrada no Texboost, era «a investigação e desenvolvimento de materiais avançados para a proteção aos raios-X, recorrendo a novos compósitos e formulações, assim como também a investigação e desenvolvimento de novas arquiteturas para o desenvolvimento de estruturas têxteis complexas para a proteção aos raios-X isentos de chumbo».

Para alcançar a proteção de uma gama de radiação desde os 60 kV até aos 120 kV com uma solução isenta de chumbo, leve, flexível e confortável, o consórcio começou por estudar o substrato têxtil mais adequado, tendo sido selecionado um PES Seaqual da Lemar com acabamentos funcionais de repelência à água e ao sangue, antibacteriano e antialérgico. O substrato têxtil, no entanto, «acaba por ter muita pouca influência na atenuação aos raios-X, confirmando que necessitamos de introduzir novos compostos metálicos ou óxidos metálicos na nossa formulação», assegurou Salomé Soares.

Pedido de patente

Foram estudados diferentes compósitos metálicos com um número atómico elevado, que garantiram «eficiências de atenuação superiores a 90% em grande parte das formações», afiançou a investigadora da FEUP. «Avaliámos também a influência da aditivação, uma vez que pretendemos desenvolver uma matriz polimérica flexível, obtendo resultados bastante interessantes, sempre na gama dos 90% aos 100%, e, por fim, avaliámos a influência da espessura e verificámos que a atenuação aumenta com o aumento da espessura da nossa matriz polimérica», acrescentou.

A solução final combina, segundo Salomé Soares, «flexibilidade, uma elevada atenuação aos raios-X, leveza e também o custo [mais baixo]», com a comparação com os produtos existentes no mercado a mostrar «atenuações muito semelhantes, apresentando como vantagem o facto de conseguirmos reduzir o peso da nossa amostra, além da flexibilidade encontrada», realçou.

Com esta solução, o consórcio desenvolveu oito protótipos de vestuário, tendo em conta questões como a ergonomia e conforto do utilizador. «Todos estes protótipos foram construídos de acordo com inquéritos que fomos realizando aos utilizadores finais que nos indicaram qual a melhor solução, qual é que lhes proporciona maior conforto», explicou Salomé Soares.

Atualmente em fase de ultimação em termos de homologação, «temos expectativas de brevemente começar a comercializar», anunciou a investigadora, que garantiu ainda que «estamos também num processo de patentear os resultados obtidos».