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Vestuário enfrenta custos mais altos

Da mesma forma que as marcas e as retalhistas estão a ver a procura do consumidor a voltar lentamente aos níveis pré-pandemia, os custos crescentes das matérias-primas e da própria logística surgem como dificuldades a enfrentar.

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No mundo das matérias-primas, a maioria dos preços de referência do algodão aumentou no mês passado. Desde o início de fevereiro, os preços subiram de 80 para 87 centavos por dólar.

A Cotlook A Index, uma média dos preços globais de algodão, ­aumentou os custos de 86 para 90 centavos por dólar, revela o relatório mensal da Cotton Incorporated.

Os preços do algodão dos EUA ficaram, em média, por 81,08 centavos por dólar na semana terminada em fevereiro. A média semanal subiu de 77,40 centavos por dólar em relação à semana anterior, que registou 63,67 centavos por dólar, segundo o Ministério da Agricultura dos EUA.

«Os níveis de preços do algodão continuam a ser negociados em níveis acima daqueles que as estimativas de oferta e procura global sugerem que podem ser apropriados», refere a Cotton Incorporated, citada pelo Sourcing Journal. «A relação stock-consumo da China é cerca de 40 pontos maior do que nos anos 2000, antes da crise financeira e antes da acumulação massiva do sistema de reservas. A proporção de stock para uso no mundo fora da China de 65,9% é cerca de 20% mais alta do que normalmente tem sido na era moderna. No entanto, o A Index atingiu a maior média mensal desde outubro de 2018 no mês passado e os preços do algodão continuaram a subir no início de fevereiro», indica.

O relatório da Cotton Incorporated não sabe qual será o fator que poderá desafiar a tendência da subida de preços, notando que o reaparecimento de casos de Covid-19 e a queda nos gastos do consumidor tiveram pouco impacto.

De acordo com a organização que representa os produtores de algodão dos EUA, as matérias-primas como o algodão podem ser vistas como uma proteção contra a inflação e a política monetária mais facilitada nos EUA, relativamente a outros mercados, pode levar a quedas no valor do dólar, o que pode também sustentar os preços do algodão.

A Cotton Incorporated observa ainda que, juntamente com os preços do algodão, os valores das colheitas que possam competir com o algodão por área plantada também têm aumentado. Como resultado, espera-se que a área plantada global com algodão esteja estável ou um pouco maior do que as colheitas atuais.

Robert Antoshak, CEO da consultoria Textile Projects, concorda com o facto de a competição entre culturas estar a fazer subir os preços do algodão, sendo que os agricultores tomam decisões com o lucro como prioridade, dado os tempos difíceis.

Os preços das fibras sintéticas também verificaram um crescimento, destaca o CEO, acrescentando que, historicamente, os preços do algodão e do poliéster se alinhavam.

Os dados do Bureau of Labor Statistics, mostram que o índice de preços no produtor dos EUA para as fibras sintéticas cresceu 1,3% no mês de dezembro, com um aumento também nos custos dos fios e dos tecidos acabados.

A produtora de fios Unifi Inc, ao informar que as vendas líquidas do segundo trimestre, encerrado a 27 de dezembro, registaram um declínio anual de 4% para os 162,8 milhões de dólares (cerca de 134 milhões de dólares), justificou a queda como uma consequência de preços de vendas mais baixos em conformidade com os custos da matéria-prima.

«O segmento de poliéster beneficiou com um melhor mix de produção e vendas, juntamente com a matéria-prima e a estabilidade de preços, também com um mix de vendas mais rico e eficiência na produção, alcançando uma margem bruta de 14,2%», afirma o CEO Eddie Ingle.

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Recentemente, os preços da lã também subiram. Os dados da Australian Wool Innovation (AWI) apontam para o indicador de referência do mercado oriental que subiu oito cêntimos por quilo ou um aumento de 0,8%, na semana terminada a 12 de fevereiro, o que eleva para 9,86 dólares por quilograma.

«Os mercados de lã parecem estar a ir em direção aos níveis económicos pré-pandémicos normais e aos padrões esperados associados. A compra italiana foi muito aparente, à medida que a qualidade da lã adequada para as necessidades do mercado se tornou disponível. Além disso, alguns pedidos destinados ao subcontinente deram um bom suporte, mas ainda é o mercado doméstico de produção e consumo chinês que está a ser o pilar do preço da lã australiana», garante a AWI.

Taxas acrescidas

De igual modo, os custos de envio também aumentaram para responder ao crescimento da procura numa altura de mudanças nos padrões do comércio e de compra.

A A.P. Moller-Maersk constata que o aumento da procura na segunda metade do ano criou constrangimentos na cadeia de aprovisionamento, incluindo a escassez de navios e contentores, o que levou ao aumento das taxas.

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Também a FedEx revelou que o impacto do coronavírus continua a gerar grandes volumes e que, por isso, a empresa tem uma procura elevada por capacidade, o que aumentou também os custos operacionais do negócio. Para conseguir responder às necessidades dos clientes, a FedEx optou por cobrar uma taxa de entrega nas encomendas enviadas a partir de 15 de fevereiro.

O incremento nos custos de envio também contribuiu para o aumento de 2,2% nos preços de vestuário no retalho dos EUA que foram ajustados em janeiro, adianta o Bureau of Labor Statistics.

A subida dos preços foi transversal a todos os sectores com o vestuário infantil a liderar o aumento de preços de 6,2% na roupa de menina e 3,4% na roupa de menino. Os custos do vestuário feminino cresceram 2,4% em janeiro e os preços do vestuário masculino subiram 1,1%.