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Vestuário indiano indignado

Após a decisão de Manmohan Singh, primeiro-ministro indiano, no sentido de abrir o mercado do país a determinados produtos de vestuário originários do Bangladesh, as reacções não se fizeram esperar. «O primeiro-ministro cometeu um grande erro», considera Kandasamy Selvaraju, secretário-geral da Associação das Empresas do Sul da Índia. «É um desastre, a nossa indústria vai ser arruinada», acrescenta Selvaraju. O responsável salienta que a indústria de vestuário na Índia já está longe de utilizar toda a sua capacidade de produção, especialmente com os preços do algodão a continuarem elevados: «Temos 17 milhões de pessoas empregadas neste sector – o que lhes irá acontecer?» A condenação da decisão foi também sentida em Ludhiana, o centro do sector de vestuário no estado indiano de Punjab. Ajit Lakra, presidente da Câmara de Malhas e Associações Têxteis de Ludhiana, alega que «a decisão foi tomada sob a pressão do lobby das grandes marcas de vestuário». No início deste ano, o governo indiano impôs um imposto de 10,3% em todas peças de vestuário de marca fabricadas na Índia. «As marcas não querem pagar esta taxa e arranjaram uma alternativa na forma de importações do Bangladesh», disse Lakra. Além de apontar a vantagem de custo do Bangladesh em relação à Índia, calculada na ordem dos 20%, Selvaraju refere que esta decisão surgiu num mau momento, considerando que o sector de vestuário indiano estava a começar a consolidar e a tentar resolver as questões relacionadas com a legislação laboral. No entanto, de acordo com Lakra, «as unidades indianas de exportação de vestuário não serão afectadas pela decisão». Apesar das críticas, os produtores dizem não existir actualmente qualquer esperança no sentido desta decisão ser revertida e a indústria está resignada a lidar com os seus efeitos. No entanto, Selvaraju sugere que poderia ser útil se Nova Deli acrescentasse alguns requisitos à legislação, como a regra de origem, para evitar que a medida se transforme numa via para a importação de produtos chineses. Os exportadores indianos de vestuário dizem ainda estar «chocados» com o que vêem como «concessões ad hoc e arbitrárias» concedidas ao Bangladesh. De acordo com Premal Udani, presidente do Concelho de Promoção da Exportação de Vestuário, os produtos que agora beneficiam da isenção de direitos aduaneiros de importação «abrangem quase 85% das actuais importações da Índia a partir do Bangladesh [e] vão prejudicar severamente a actividade de confecção no país». O responsável observa que 15 milhões de produtos já beneficiam da isenção de tarifas de importação do Bangladesh, acrescentando que «a eliminação de produtos da lista negativa vai abrir as comportas». O acordo vai também «traduzir-se em perdas significativas para a indústria de tecidos indiana. Era imperativo para o governo oferecer condições de concorrência equitativas para os fabricantes de vestuário indianos, antes de conceder concessões a um país», conclui Udani.