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Vestuário mais afetado pela Covid-19

A indústria de vestuário sofreu o maior golpe económico durante a pandemia de Covid-19, de acordo com um novo estudo, com a disrupção da cadeia de aprovisionamento a ser o principal desafio. O sector foi ainda o que sentiu menos apoio por parte dos compradores.

[©The Business Standard]

De acordo com o estudo “Covid-19 impacts on businesses” da plataforma de sourcing responsável Sedex, citado pelo just-style.com, 68% dos inquiridos da indústria de vestuário indicaram que o seu volume de negócios diminuiu «significativamente» ou «criticamente». Outros sectores inquiridos incluíram transportes e logística, químicos, retalho, farmacêutica, construção, limpeza, grossistas e pesca.

O estudo, que incluiu 469 fornecedores de vestuário em 51 países, a maior parte dos quais na China, Índia, Bangladesh e Turquia, concluiu que apenas 38%, em comparação com 55% em média no estudo, reportaram que os clientes foram compreensivos durante a pandemia.

Países como a Índia (88%) e Bangladesh (77%) foram particularmente afetados. Apenas 10% dos inquiridos sentiram um aumento ou uma estabilização do volume de negócios.

Mas com muitas fábricas a lutarem para se manterem abertas, os encerramentos e a redução de encomendas teve um impacto devastador nos empregos e rendimentos para a maioria dos trabalhadores nos sectores têxtil e vestuário, refere o estudo.

Dos que tiveram mais mão de obra do que trabalho (56%), a opção mais comum para gerir isso foi reduzir o número de turnos por trabalhador (46% implementaram essa opção), com 31% dos fornecedores a reduzirem o número de pessoas. Cerca de 25% dos negócios vão fechar temporariamente e 21% vão impedir que os trabalhadores venham trabalhar durante este período.

«Isto torna a leitura [dos resultados do estudo] particularmente cinzenta, numa indústria onde os trabalhadores ganham salários extremamente baixos», aponta o estudo. «Com pouca ou nenhuma margem para poupança, muitos trabalhadores das indústrias de vestuário e do calçado deverão enfrentar pobreza extrema. A colaboração atempada entre retalhistas e governos é crítico para gerir os impactos do Covid-19 nos milhões de pessoas afetadas», acrescenta.

Risco de trabalho infantil

As empresas que estão com falta de mão de obra (30%) estão a dar passos proativos para tentar resolver a situação, com o recrutamento de mais trabalhadores (42%) e a utilização de trabalhadores a contrato (27%) a serem opções populares. Com quase 70% dos que estão com falta de trabalhadores a procurarem novas pessoas, a possibilidade de más práticas de recrutamento está exacerbada numa altura de crise e a utilização de trabalho infantil ou trabalho forçado pode aumentar. A negociação com os compradores sobre alargamento de prazos para que as encomendas possam ser cumpridas com os trabalhadores existentes é uma opção para 40% dos inquiridos.

[©VnExpress/Quynh Tran]
«A Sedex aconselha fortemente as organizações de compradores a permitirem flexibilidade e adicionalmente pagarem preços justos. Os dados mostram um cenário de condições incrivelmente difíceis para os fornecedores e um nível muito mais baixo de apoio por parte dos seus clientes do que em qualquer outra indústria. Os compradores têm de prestar atenção a estes números e perceber que têm de melhorar as suas práticas urgentemente para minimizar os impactos adversos nos direitos humanos», explica o estudo, sublinhando que «assegurar o funcionamento das cadeias de aprovisionamento é essencial para a recuperação sectorial e do negócio».

Numa nota mais positiva, mais inquiridos estão a reportar ações relacionadas com a saúde. Por exemplo, 78% formaram os funcionários e 72% das fábricas implementaram medidas de distanciamento social. Da mesma forma, houve alguns exemplos positivos, com 15% dos inquiridos a aumentarem o acesso a seguros de saúde para os trabalhadores. Contudo, 10% dos inquiridos indicaram que as medidas de saúde só se aplicam a trabalhadores contratados permanentemente.

«Embora seja claro que foram tomadas medidas, é preciso fazer muito mais para assegurar a segurança dos trabalhadores. Os trabalhadores com salários baixos e pouca segurança no trabalho (uma característica comum do emprego no vestuário e calçado) não podem dar-se ao luxo de ficarem longe do trabalho devido a preocupações com a saúde», refere.

A curto prazo, o estudo sugere que é preciso que é preciso fazer muito mais para proteger os trabalhadores quando estão no local de trabalho dos impactos na saúde do Covid-19 e proteger os que não têm trabalho dos impactos financeiros do desemprego.

Quando questionados sobre que ações dos compradores seriam mais benéficas para apoiar os fornecedores, os inquiridos referenciaram evitar cancelar contratos (67%), melhores termos de pagamento (56%), melhores previsões e planeamento (49%), prazos de produção mais longos e isenção de taxas de atraso durante este período (48%). Cerca de 31% também pediram o adiamento de auditorias.