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Vestuário mais sustentável – Parte 2

Com a abrangência global da sua cadeia de aprovisionamento, o sector de vestuário pode desempenhar, segundo David Birnbaum, autor do The Birnbaum Report, uma newsletter mensal destinada à indústria do vestuário, um papel fulcral no que se refere a garantir e promover os esforços no sentido da sustentabilidade e dos princípios ecológicos. Na primeira parte deste artigo (ver Vestuário mais sustentável – Parte 1) ,Birnbaum analisou os erros cometidos quando o sector enfrentou as condições laborais. Nesta segunda parte, a sua análise está focalizada nos desafios futuros. Desafios futuros Para lidar eficazmente com as questões de sustentabilidade e de produtos ecológicos, o autor do The Birnbaum Report defende que se deve não só evitar os erros do passado, como também compreender as novas dificuldades que advêm. Os problemas de sustentabilidade são, segundo David Birnbaum, muito mais complexos do que os enfrentados no cumprimento das condições laborais: – A sustentabilidade lida com uma matriz multi-dimensional de entradas e saídas. Cada material e cada processo – desde as fibras ao vestuário acabado, incluindo não só o processo de fabrico, mas as operações subsequentes, como a logística – devem ser tratados de forma individual. – Os efeitos de cada material e processo em diferentes áreas do ambiente, incluindo ar, água, ruído e clima, devem ser considerados. – As normas devem permitir tanto a melhoria incremental, como a mudança integrada. Por exemplo, a redução nas emissões de dióxido de carbono pode ser alcançada por um processo contínuo, onde cada passo traz níveis crescentes de melhoria. Ao mesmo tempo, as novas fábricas podem ser construídas com uma pegada de carbono zero. Embora a segunda opção seja claramente mais desejável, ambas devem ser admitidas. – Finalmente, devemos afastar-nos das antigas regras passa/falha, optando por um sistema que permita a melhoria incremental. Temos de aceitar que, no presente momento, os esforços globais de todas as indústrias estão na sua infância e que mesmo as pequenas melhorias devem ser incentivadas. Temos também consciência de que não existe um limite máximo de oportunidades para uma mudança positiva e que a máxima de hoje, esperamos, será a norma de amanhã. Trabalho de equipa Para combater eficazmente a observância da sustentabilidade e produção ecológica na indústria têxtil e vestuário, Birnbaum considera que é urgente trabalhar de forma cooperativa e inteligente. Algumas considerações importantes e medidas sugeridas incluem: 1. Criar uma organização independente sem fins lucrativos, exclusivamente para a indústria têxtil e vestuário, para que todos os interessados possam integrar. Nestes incluem-se fornecedores e clientes, organizações de profissionais com conhecimentos especializados, tais como o CCI (Cotton Council International) e a AATCC (American Association for Textile Chemists and Colorists), as principais empresas de inspecção e auditoria e ONG’s com competências especializadas. 2. Criar uma norma única para todas as áreas de sustentabilidade e de produtos e produção ecológicos: Incorporar organizações profissionais e internacionalmente reconhecidas para conduzir o trabalho, cada uma na sua própria área de especialização; garantir que a norma é abrangente e integrada; permitir a melhoria incremental, em que as empresas podem evoluir usando um sistema de classificação de 1 a 10 e receber o reconhecimento para cada melhoria. 3. Criar uma lista de verificação única e realizar auditorias regulares: levar as empresas de inspecção e auditoria a criarem, de forma colaborativa, uma única lista de verificação. Para agilizar este processo, o número de empresas deve ser limitado, possivelmente duas. 4. Trazer as ONG’s mais profissionais para participarem em todos os níveis, para garantir que a organização da sustentabilidade e o sector como um todo estão-se a direccionar no sentido da excelência e da conformidade. Na terceira e última parte deste artigo, David Birnbaum faz o ponto da situação no que se refere às iniciativas presentes e aos desafios futuros para vencer a luta pela sustentabilidade.