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Vestuário mais sustentável – Parte 3

Para que o sector de vestuário consiga desempenhar um papel fulcral na condução do esforço da sustentabilidade e da produção ecológica, segundo David Birnbaum, autor do The Birnbaum Report, uma newsletter mensal destinada à indústria do vestuário, terá de funcionar com uma organização e uma norma abrangentes, para evitar os erros do passado, quando estava em causa o cumprimento das normas de responsabilidade social e direitos laborais (ver Vestuário mais sustentável – Parte 2). Nesta terceira parte, Birnbaum faz o ponto da situação no que se refere às iniciativas presentes e aos desafios futuros. A acção fala mais alto do que as palavras «Se nós, como indústria, não trabalharmos juntos, corremos o risco de, apesar dos nossos melhores esforços individuais, corrompermos todo o processo até ao ponto em que a sustentabilidade e a ecologia perderão todo o sentido, tornando-se meras palavras de publicidade numa etiqueta», refere o autor do The Birnbaum Report. Nesse ponto, toda a indústria voltará a ser rotulada, segundo Birnbaum, como um bando de canalhas impiedosos que colocam o lucro à frente da humanidade. «Nós simplesmente não podemos permitir a repetição dos erros cometidos com o cumprimento das normas de responsabilidade social e direitos dos trabalhadores», afirma. «Mas, se por outro lado, trabalharmos juntos, a nossa indústria pode desempenhar um papel de liderança na luta para restaurar o frágil equilíbrio ecológico do planeta, controlando a poluição e outras práticas nocivas para o ambiente», prossegue. A indústria têxtil e vestuário está em toda parte, desde os países ricos desenvolvidos, onde muitos dos produtos são vendidos, até aos países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos, onde muitos dos produtos são produzidos. No presente momento, muitas pessoas permanecem ambivalentes em relação aos problemas ecológicos. Existe certamente uma minoria preocupada e ansiosa para fazer a sua parte. Mas existe também uma minoria ruidosa que acredita que toda esta questão da poluição e do aquecimento global não passa de um mito perpetrado por um bando de radicais. No entanto, a grande maioria encontra-se algures entre estes dois extremos, ligeiramente preocupada, mas nem sempre disposta a fazer qualquer esforço real. «Nós somos a indústria da moda. O nosso negócio é fazer produtos interessantes e emocionantes que o consumidor coloque na sua lista de desejos. Sejamos realistas, ninguém precisa de outra t-shirt ou outro par de jeans. Se já é possível vender estes produtos, que ninguém realmente precisa, certamente conseguiremos vender a sustentabilidade», sustenta. Legado da indústria Independentemente da forma como se olha para a questão, o futuro do planeta e o que se pode legar à próxima geração é provavelmente o desafio mais importante que a humanidade enfrenta hoje. «Do lado da produção somos os maiores empregadores industriais nos países em desenvolvimento e nos países menos desenvolvidos, precisamente as mesmas regiões onde as iniciativas no sentido da sustentabilidade e da produção ecológica enfrentam a sua maior oposição», explica Birnbaum. Os governos ocidentais têm tentado convencer os governos nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos para trabalharem em prol da sustentabilidade. Na recente cimeira de Copenhaga sobre o clima, os países industrializados concordaram em fornecer fundos aos países em desenvolvimento, como a Índia e a China, para diminuir os custos e os efeitos do controlo mais rígido da poluição, mas sem sucesso. Todos conhecem já as terríveis condições ambientais dentro e fora das fábricas na China, Bangladesh e Índia. O ar poluído flutuando sobre Pequim e Hong Kong também acaba por afectar o resto do mundo. Não podemos ficar parados sem fazer nada. Também não podemos usar a desculpa de que nada pode ser feito. O sector de vestuário tem sido mais eficaz do que qualquer outro em acabar com o trabalho infantil. Segundo Birnbaum, os nossos métodos podem ser brutos, mas são altamente eficazes. Nós simplesmente dizemos aos nossos fornecedores: «se empregar crianças, deixamos de trabalhar consigo». Mas é assim que a Wal-Mart tem feito mais para erradicar o trabalho infantil em cinco anos do que as Nações Unidas fizeram em cinquenta. A Wal-Mart (e outras empresas pró-activas) está a fazer a mesma afirmação no que diz respeito à sustentabilidade e ao meio ambiente. Os seus esforços são um exemplo do que é possível fazer como sector. «No entanto, para realmente termos sucesso, devemos trabalhar não como um grupo de empresas separadas, mas como uma organização abrangente, com uma norma e um processo para todo o sector», conclui David Birnbaum.