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Vestuário melhora sourcing

Integrado no grupo de sustentabilidade do recente fórum da Made-By, Martin Buttle, um consultor sénior da empresa, descreveu a mudança que tem sido registada quando alguma coisa corre mal, passando de uma postura do género “evitar a culpa”, para uma postura em que retalhistas e marcas têm um papel muito mais colaborativo, ajudando a reorganizar as empresas fornecedoras e a treinar os trabalhadores. O diretor da Ethical Trading Initiative, Peter McAllister, concordou que a colaboração é fundamental, destacando que os «problemas crónicos no Bangladesh requerem colaboração». Descrevendo como as empresas devem interagir com a sua base de fornecedores, McAllister afirmou que «o simples policiamento de fornecedores não funciona, a relação tem de ser baseada na parceria, compreendendo as suas pressões», o que pode incluir problemas como corrupção, questões laborais, preços ou má gestão. De igual forma, os melhores padrões sectoriais pouco significam se marcas e retalhistas não conhecerem a sua base de fornecedores, assim como qualquer métrica dessas normas não proporciona uma perspetiva completa. McAllister revelou que, quando as empresas estão a auditar, olham para a «ausência de coisas más» – como o trabalho infantil ou a exploração –, mas é difícil encontrar algo que «não esteja lá». Os impactos sociais são mais difíceis de quantificar, concordou Abi Rushton, diretor da Ethical Expert. De acordo com Rushton, enquanto algumas empresas estão dispostas a fazer o que está certo, outras necessitam de encontrar um caso concreto para alterar a forma como funcionam. O essencial para isto é «compreender a força laboral como um bem fundamental», explicou Rushton, acrescentando que «se os trabalhadores forem bem tratados, trazem valor para a empresa». A colaboração também é fundamental na eliminação de produtos químicos perigosos da cadeia de aprovisionamento, advogou Sandra Meijer, chefe de Serviços de Gestão de Produtos Químicos no REACH Centre, uma empresa de consultoria que ajuda as empresas a cumprir com as obrigações ao abrigo dos regulamentos do REACH. O foco atual tem estado, em grande parte, do lado do consumidor e garantir que as empresas cumpram com a legislação, mas isso não é suficiente, pois os trabalhadores mais acima na cadeia de provisionamento ainda estão a ser expostos a essas substâncias químicas nocivas. Por exemplo, apesar da utilização de nonilfenol durante a produção de vestuário ser proibida na UE, a sua presença por si só na roupa não é atualmente regulada no mercado europeu. Estes produtos químicos não são proibidos noutros países e, portanto, ainda são usados fora da UE, mas após o lançamento na água, os subprodutos da degradação destes químicos podem causar sérios problemas ambientais. Graças à campanha Detox da Greenpeace, bem como outras iniciativas, existem cada vez mais retalhistas a restringir a utilização do nonilfenol em fábricas fora da UE, referiu Meijer. Frida Hok, coordenadora de projeto na ChemSec, um grupo de interesse que trabalha para eliminar gradualmente os produtos químicos perigosos, considera que a lista SIN (Substitute it Now) de produtos químicos perigosos é um bom ponto de partida para que as empresas comecem a eliminar as mais de 600 substâncias químicas abrangidas. Hok enfatizou ainda o papel que os investidores podem desempenhar no incentivo das marcas para a redução da utilização de produtos químicos. Esta ideia foi ecoada por Laila Petri, gestora de relacionamentos empresariais na WWF, que salientou ainda a necessidade de preservar os recursos hídricos.