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Vestuário técnico em ascensão

Com capacidade para resistir às nódoas, aos líquidos e ao óleo, o mercado de vestuário com características funcionais, usado sobretudo em áreas como a medicina e a indústria, está em trajetória ascendente e, apesar da pressão para encontrar químicos mais sustentáveis, deverá continuar a prosperar no futuro.

O mercado de vestuário resistente às nódoas cresceu significativamente nos últimos anos e, de acordo com um novo estudo da Textiles Intelligence publicado na Textile Outlook International, deverá crescer mais no futuro.

A roupa que repele nódoas é essencial em aplicações como vestuário médico e vestuário de trabalho na indústria, onde há a necessidade de evitar que os derrames de líquidos penetrem numa peça de vestuário e cheguem à pele do utilizador – sobretudo em casos em que esses líquidos podem ser prejudiciais para a saúde humana.

Mas, além das aplicações no mercado profissional, o vestuário com repelência de nódoas tem proliferado também no mercado de vestuário casual. «Isso deve-se, em parte, ao facto de fornecerem melhor proteção aos derrames do que o vestuário convencional. Contudo, um benefício adicional é que a proteção às nódoas reduz a frequência com que as peças de roupa precisam de ser lavadas e limpas a seco – poupando, por isso, tempo para o utilizador, assim como uma redução da utilização de energia, consumo de água e emissões de dióxido de carbono», aponta a Textiles Intelligence.

Os produtores de vestuário com repelência de nódoas e de tratamentos de repelência estão, contudo, sob pressão para assegurar que a incorporação de características antimanchas no vestuário não prejudica a saúde humana ou o meio ambiente.

Em busca da sustentabilidade

Os químicos de eleição para conferir propriedades de proteção de nódoas aos têxteis têm sido fluorcarbonetos com base em químicos C8 devido à sua capacidade sem paralelo de repelir água e óleo. Mas a produção destes compostos pode resultar na geração de químicos como ácido perfluorooctanóico (PFOA) – que foi declarado «provavelmente cancerígeno para humanos» pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA – e ácido perfluorooctano sulfónico (PFOS), que é conhecido por ser tóxico, persistente no ambiente e bioacumulativo, uma vez que pode ficar armazenado no corpo de humanos e animais.

Os produtores de tecnologias repelentes de nódoas estão, por isso, a acelerar os seus esforços para desenvolver produtos mais amigos do ambiente. Como parte desses esforços, muitos estão a focar-se na utilização de fluorcarbonetos com cadeias mais curtas com base em químicos C6.

No entanto, embora os tratamentos feitos com cadeias mais curtas de fluorcarbonetos deem repelência suficiente a líquidos para aplicações menos exigentes, como vestuário de outdoor, «não têm performances tão boas como os tratamentos feitos com cadeias de fluorcabonetos mais longas para aplicações que são mais exigentes – como vestuário para pesca, que é sujeito a grandes nódoas durante a utilização ou vestuário médico para o qual é essencial ter boas propriedades de repelência à água e ao óleo», sublinha a Textiles Intelligence. «Além disso, não são ideais da perspetiva de salvaguardar a saúde humana e o meio ambiente», acrescenta.

Como tal, refere o estudo, os fornecedores de vestuário com fortes credenciais ambientais veem os tratamentos feitos a partir de cadeias mais curtas de fluorcarbonetos como tecnologias provisórias, para serem usadas apenas até ser desenvolvida uma alternativa eficaz sem fluorcarbonetos.

Os tecidos com propriedades de repelência à água e ao óleo e credenciais de sustentabilidade para o meio ambiente têm sido desenvolvidos com sucesso em laboratório, mas poucos se mostraram suficientemente duráveis para aguentarem uma utilização intensiva e poucos são viáveis para produção a grande escala, indica a Textiles Intelligence.

Os investigadores terão, por isso, de continuar a explorar formas de desenvolver tecidos que possam repelir água e óleo sem usar fluorcarbonetos.

Outra área de investigação é ainda o potencial de obter vestuário capaz de se autolimpar ou mesmo de se autorreparar. «Muitos irão usar a biomimética e procurar inspiração no mundo natural na sua busca por materiais e tratamentos que combinem eficiência, segurança e sustentabilidade», afirma a Textiles Intelligence.