No momento em que a desvalorização do euro tem afetado os resultados das empresas europeias, a vantagem do dólar americano tem prejudicado igualmente os pares e rivais americanos e poucas entidades estão imunes ao seu efeito.

Contudo, a perspetiva de vendas no longo prazo é positiva para o grupo detentor das marcas The North Face, Timberland, Nautica, Vans e Wrangler e o CEO Eric Wiseman mostra-se confiante no futuro da VF Corp. Wiseman prevê que os ganhos por ação cresçam 14%, face a 12% em moeda neutra, assim como uma ampliação das margens.

VF2No primeiro trimestre do ano, os ganhos derraparam para 289 milhões de dólares, ou 67 cêntimos do dólar por ação, face aos 297 milhões de dólares e 67 cêntimos do dólar por ação assinalados no ano passado, apesar do aumento da receita de 2% para 2,84 mil milhões de dólares, cumprindo as previsões dos analistas. Excluindo o impacto da valorização do dólar, as vendas aumentaram 8%.

O impacto foi visível no exterior do seu mercado doméstico, assinalando uma diminuição de 5% das receitas internacionais que, no entanto, cresceram 9% em base de moeda-neutra. As receitas na Europa caíram 14% mas cresceram 4% em moeda-neutra.

Os melhores resultados couberam à região Ásia-Pacífico, onde as receitas aumentaram 13% em termos reais e 17% em base de moeda-neutra, assim como no continente americano (excetuando EUA), onde subiram 4%, ou 16% em base de moeda-neutra.

As receitas provenientes de vendas diretas ao consumidor cresceram 5%, ou 11% em base de moeda-neutra, obtendo resultados positivos em base de lojas comparável em todas as regiões e, em particular, no continente europeu.

As vendas do tradicionalmente vibrante segmento de outdoors e desportos de ação aumentaram apenas 2% para 1,6 mil milhões de dólares mas, em base de moeda-neutra, as vendas subiram 10%.

VF1Retirando a influência perniciosa da valorização do dólar, a quase totalidade dos sectores do grupo apresentou uma performance positiva. A título de exemplo, a marca Timberland, um dos ícones do grupo, assistiu à estagnação das suas receitas no primeiro trimestre que, em base de moeda-neutra, cresceram 10%.

No continente americano, as receitas aumentaram substancialmente, impulsionadas por um «significativo crescimento do sector grossista». No geral, a região Ásia-Pacífico apresentou bons resultados, enquanto a Europa registou a prestação mais fraca, com um ligeiro aumento em base de moeda-neutra e decréscimo em termos reais.

A marca The North Face registou um percurso similar, com um crescimento de 1%, ou 7% em base de moeda-neutra. Uma vez mais, o continente americano e a região Ásia-Pacífico apresentaram os melhores resultados, enquanto a Europa registou um abrandamento.

O segmento jeans – incluindo os atores principais do grupo Wrangler e Lee – cresceu apenas 1%, ou 6% em base de moeda-neutra, e assinalou uma performance regional idêntica à dos restantes segmentos, com a Europa a apresentar os piores resultados, em consequência dos efeitos cambiais.

«O nosso negócio de jeans no canal de massas mostrou-se incrivelmente forte e isto é ilustrativo da força subjacente do nosso segmento de jeans», afirmou o CEO da VF Corp. «Este negócio é predominantemente masculino e foi impulsionado, primeiramente, por novos produtos e novas formas de execução em loja».

Entretanto, o CFO Scott Roe revelou aos analistas que «as aquisições permanecem a primeira prioridade», sem adiantar detalhes, ainda que o grupo não tenha feito uma aquisição de significativa dimensão desde a compra da Timberland em 2011.

Em suma, a VF Corp reúne um portefólio de marcas, cujas sólidas prestações são negativamente influenciadas pelas flutuações cambiais e o mesmo é esperado de outras empresas americanas relativamente a este trimestre.