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VF chamado à atenção

Segundo os analistas, é hora do gigante do vestuário VF Corporation se despedir das sombras de verão, caso pretenda manter a sua quota de mercado. O grupo proprietário de marcas como North Face, Timberland, Vans e Wrangler não faz uma aquisição há cinco anos, inércia que se tem vindo a refletir nas avaliações.

Num sinal de impaciência de Wall Street em relação ao VF Corporation, a corretora DA Davidson subavaliou o grupo empresarial em “neutral” relativamente a “buy”, na sequência de uma depreciação semelhante efetuada pelo grupo de pesquisa Buckingham Research. Ambas citaram a necessidade do grupo norte-americano cumprir as suas promessas de negócio, a fim de impulsionar o crescimento, noticia o portal Bloomberg.

As ações do VF Corporation desceram 16% face ao ano passado, em comparação com um ganho de 13% no índice S&P 500. Isso marca uma assustadora reviravolta em relação ao ganho de 274% em ações VF ao longo dos cinco anos anteriores.

A empresa que agrega 25 mil milhões de dólares (aproximadamente 22,3 mil milhões de euros) em marcas como a de calçado desportivo Vans e a de jeanswear Wrangler tem vindo a dizer aos investidores que está «muito ativa» na busca de alvos que possam acabar com a sua mais longa seca.

Embora os executivos da empresa se autointitulem «gestores de portefólio ativo», já se passaram cinco anos desde o último acordo anunciado publicamente pelo VF – quando comprou a Timberland por 2 mil milhões de dólares, à data a aquisição mais cara de uma empresa de calçado norte-americana em quase uma década.

Nos últimos anos houve vários rumores de que o VF Corporation estaria prestes a deitar a mão a várias marcas e retalhistas, da Hanesbrands à Puma, da Lululemon à Lands End. Todavia, ainda nenhum caso se concretizou.

O VF emagreceu também o seu portefólio: em junho, vendeu as marcas de moda contemporânea Splendid, 7 For All Mankind e Ella Moss por 120 milhões de dólares ao fabricante israelita de vestuário Delta Galil.

O grupo norte-americano revelou na altura que estava a explorar opções de negócio para artigos desportivos licenciados, como as camisolas da NBA e da MLB que, no ano passado, gerou cerca de 550 milhões de dólares em receitas.

O valor acumulado dessas vendas e os 680 milhões de dólares que o VF apresentou no seu balanço de julho deram à empresa poder de compra, mesmo antes de esta ter de pensar em contrair divida.

Livrar-se das marcas contemporâneas empurra também o VF para fora do negócio de vestuário de moda rápida, num momento em que os consumidores estão a gastar menos em jeans e muito mais em peças diárias, como t-shirts e vestuário desportivo, e abre caminho para que o VF possa finalmente fazer algumas aquisições.

O foco do VF Corporation em artigos básicos, outdoor e sportswear propicia uma indicação de onde o grupo poderá centrar os seus esforços de aquisição. Uma possível compra poderia ser a Hanesbrands, que detém a fabricante da roupa interior Hanes, a Wonderbra e a marca de vestuário desportivo Champion.

O CEO da Hanesbrands, Rich Noll, anunciou em julho que iria renunciar depois de uma década no comando. Operando muito como o VF, Noll construiu a empresa através de uma série de aquisições. O valor de mercado da Hanesbrands e as receitas cresceram, porém, as vendas desaceleraram nos últimos anos e as ações da empresa caíram 24% em 2015.

Depois de três anos em que as vendas anuais do VF Corporation cresceram 6,5%, em média, as previsões apontam para um crescimento das vendas de 1% em 2016. Já neste regresso às aulas as leituras dos analistas mostram que as vendas de sapatilhas Vans e de botas Timberland estão a enfraquecer, com os consumidores a mostrarem preferência por estilos mais retro, incluindo as sapatilhas Superstar da Adidas.

Também se espera que os grandes armazéns e outros retalhistas que vendem artigos do VF comecem a cortar nas encomendas para melhor lidar com os próprios problemas de inventário, pressionando as vendas de casacos North Face e de outros artigos outdoor.