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VF Corp rentabiliza sustentabilidade

A empresa norte-americana VF Corp, que detém marcas como a Timberland, Vans e The North Face, transformou a tendência ecológica num novo modelo de negócio. A recuperação de peças de vestuário e consequente revenda a preços mais baixos tem sido uma aposta bem recebida pelos consumidores.

A VF Corp incorporou a sustentabilidade como um valor essencial ao seu modelo de negócio e tem procurado rentabilizar esse compromisso. «A sustentabilidade e a responsabilidade social corporativa são importantes para a VF e isso tornou-se uma estratégia de negócio», explicou, durante a iTechStyle Summit, Anna Maria Rugarli, diretora sénior de sustentabilidade e responsabilidade para a região EMEA da empresa norte-americana, que faturou 11,8 mil milhões de dólares em 2017.

«Os millennials estão muito preocupados com as questões ambientais e mais abertos a comprar artigos sustentáveis e de empresas sustentáveis», afirmou, acrescentando que isso é «uma oportunidade» para as empresas se tornarem líderes.

Angariar novos clientes

A VF iniciou o projeto corporativo na área da sustentabilidade há oito anos e, entretanto, tem implementado diversas iniciativas, incluindo formação para designers e outros envolvidos no desenvolvimento do produto nestas matérias, mas também a criação de novos modelos de negócio, como o aluguer de vestuário, atualmente em fase de testes-piloto com diferentes marcas e em várias partes do mundo, e a revenda de vestuário, tendo já implementado com a The North Face uma iniciativa em que é recolhido vestuário usado, que é reparado, limpo e vendido a um preço mais baixo em plataformas terceiras.

Maria José Carvalho, Anna Maria Rugarli, Simone Cipriani e Jan Laperre

«É uma ótima forma de angariar novos consumidores, que estão disponíveis para gastar essa quantia mas não o valor do produto novo», assegurou. A VF está ainda a recolher produtos em fim de vida da Timberland e da The North Face nas lojas e a doar produtos, através de associações, para pessoas necessitadas. É preciso, contudo, comunicar melhor. «Os consumidores respondem bem à sustentabilidade. Temos de comunicar mais sobre isso nos nossos produtos», destacou.

Aliás, confirmou em declarações ao Jornal Têxtil, o feedback dos consumidores «a maior parte das vezes supera as nossas expectativas. As pessoas estão cada vez mais conscientes no que diz respeito às suas decisões de compra, compreendem como é importante agir de forma mais sustentável e apreciam muito marcas que apoiam o seu percurso e as ajudam a reduzir o seu impacto». Segundo Anna Maria Rugarli, os programas de recolha de vestuário da Timberland e da The North Face, disponíveis em 150 lojas na Europa, evitaram a ida para aterro de mais de 10 toneladas de roupa. «Em 2017, comprometemo-nos a aumentar as quantidades recolhidas através destes programas em 10% até 2020. Em apenas um ano conseguimos aumentar 43%», sublinhou.

Consciencializar consumidores

A diretora sénior de sustentabilidade e responsabilidade para a região EMEA revelou ainda ao Jornal Têxtil que a empresa está a trabalhar na consciencialização dos consumidores para diversas realidades.

«A The North Face está a trabalhar para moldar definitivamente os hábitos de consumo. Por exemplo, a marca recolhe equipamento usado para permitir a crianças menos privilegiadas usufruírem da natureza. A Vans está a vender sacos reutilizáveis nas lojas e doa um euro por cada compra – nos últimos meses doou mais de 100 mil euros para a Skate-aid, para apoiar crianças que vivem em áreas de conflito e pobreza levando o skateboarding à sua comunidade», exemplificou.

Passos constantes que, como frisou Anna Maria Rugarli, fazem parte de uma jornada que «exige tempo, perseverança e colaboração: podemos resolver os principais desafios industriais se agirmos em conjunto». Atualmente, a VF Corp está focada em três pontos: as alterações climáticas, o bem-estar dos trabalhadores e o aprovisionamento de matérias-primas. «É muito importante estabelecer metas – estas ajudam as empresas a manterem-se focadas no seu percurso», garantiu. A quem está a começar, Anna Maria Rugarli deixou um conselho: «façam o vosso melhor, sabendo que ainda não temos as soluções perfeitas para resolver os problemas mas há sempre muitas formas disponíveis para melhorar».