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Victoria’s Secret exercita preços baixos

Na mesma altura em que atualiza a sua coleção de sportswear com a nova linha Victoria Sport e procura alcançar um novo segmento de clientes, a Victoria’s Secret está a oferecer soutiens desportivos a preços mais baixos e a apostar em novos artigos.

«A empresa fez um relançamento que foi, na verdade, um relançamento de preços e não necessariamente de produtos. Por isso, há muitos produtos que foram apenas reetiquetados. Um grande atrativo para os clientes», considera Gabriella Santaniello, fundadora da consultora A Line Partners, em declarações ao Business Insider, analisando a oferta de soutiens desportivos da marca.

Uma navegação rápida no website da empresa permite ver soutiens básicos a 15 dólares (aproximadamente 13,5 euros), cerca de menos de metade do preço médio anterior.

Para referência, na Forever 21, a maioria dos soutiens desportivos custa entre 9,90 e 15,90 dólares, com um grande número posicionado entre os 12,90 e os 14,90 dólares. Na Lululemon, um soutien desportivo custa entre 48 e 68 dólares.

Com os novos pontos de preço, há um lado positivo: a marca está mais competitiva.

«Estamos a ver reduções de preços na ordem dos 30% a 60%», afirma Santaniello. «A marca tem, neste momento, o preço mais atraente do mercado para soutiens desportivos», considera.

Em março, a Victoria’s Secret divulgou o seu especial anual de moda praia, um vídeo de uma hora estrelado por uma dúzia de “anjos” que…falhou.

Dois meses depois, a empresa-mãe L Brands informava sobre o adeus ao swimwear (ver O simplex da Victoria’s Secret).

Na verdade, a L Brands confirmou o fim do segmento, bem como a eliminação do calçado, acessórios e vestuário – basicamente tudo aquilo que tinha sido oferecido online e em lojas como extra ao core business da marca.

E, enquanto a empresa explorava novos territórios para conquistar, já os seus soutiens e roupa interior tinham sido abalados pelos novos rivais. As ações caíram quase 30% desde outubro do ano passado e o crescimento das vendas tinha abrandado. Pressionada pelo aumento do vestuário posicionado no segmento athleisure, a Victoria’s Secret teve de rever as prioridades.

E assim fez. A empresa tem vindo a apostar num novo artigo: o bralette (soutiens sem enchimento ou aros que se assemelham a crop tops).

Contudo, os analistas consideram o bralette uma investida arriscada para a Victoria’s Secret – por causa do seu preço mais baixo, mas também porque, como Santaniello aponta, são artigos muito fáceis de fazer e qualquer retalhista pode vender um.

Todavia, os bralettes – que os consumidores compram em maior volume, como destacou recentemente Stuart Burgdoerfer, diretor financeiro da L Brands – são artigos de moda.

Ainda assim, a fim de permanecer relevante, Santaniello acredita que a marca precisa de «apresentar continuamente novos produtos e produtos de moda».

Santaniello atesta ainda que a aposta nos bralettes e soutiens desportivos é um claro sinal de que a empresa está a adaptar-se aos gostos das consumidoras mais jovens. A Victoria’s Secret está a «aprender com as millennials» e a perceber aquilo que as clientes estão realmente dispostas a pagar.

A marca americana construiu um negócio de 7,6 mil milhões de dólares por deter o pote de ouro daquela que é considerada a roupa interior de mulheres desejáveis, analisa a Bloomberg.

Os soutiens com enchimento da marca transformaram-se numa máquina de fazer dinheiro mas, como a definição de sexy mudou, o mesmo fez a Victoria’s Secret.

As modelos emagreceram e, de seguida, tornaram-se mais atléticas. Não obstante, não importa o que a Victoria’s Secret vende ou as suas razões, tudo se resume a sensualidade. Aliás, a marca apresentou os brallets com o slogan «não usar enchimento é sexy», reafirmando o reposicionamento.