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Vida nova para a Meam

A marca própria de vestuário da Meamstyle está a entrar numa nova fase. Depois do sucesso obtido com a parceria com Ricardo Preto, a marca boho-chique conta agora com o talento de outro designer português para conquistar mais consumidoras em Portugal e no mundo.

Francisco Rosas é “o senhor que se segue” na Meam. O designer, que já passou pela Hermès, pela Valentino Roma e pela Genny (no grupo Prada) e criou, em 2004, a sua própria insígnia, será o responsável pelo design da marca própria da Meamstyle a partir da coleção para a primavera-verão 2017.

Um verdadeiro «desafio», como afirma, ao Portugal Têxtil, Maria do Carmo Mendes, a fundadora da Meam e sócia-gerente da Meamstyle, que detém a marca. «O Francisco, pelas casas de moda por onde passou, tem um estilo completamente oposto ao nosso. Vai ser uma surpresa», garante.

Presente em Paris, onde está a expor na Apparel Sourcing, desde a coleção para a primavera 2011 que a Meam tinha ao leme Ricardo Preto. A mudança acaba por acompanhar os tempos que se vivem atualmente na moda. «Até as casas de moda internacionais estão a mudar. Tudo tem o seu tempo. E agora começa uma nova etapa para a Meam», reconhece Maria do Carmo Mendes.

Nesta nova etapa, o conceito deverá também evoluir. «Vamos pegar nesse conceito de “couture”, nesse lado feminino [das criações do Francisco Rosas], e levá-lo para o mercado de massas», explica a sócia-gerente, que acrescenta que neste momento «há um plano bem definido de estratégia para a marca».

A Meam continua, de resto, no centro da estratégia da empresa, que tem clientes como a Moschino, a Acne e até a Marques’Almeida na confeção em private label. «A minha estratégia está centrada na Meam, cuja próxima aposta é a venda online», revela Maria do Carmo Mendes. «A marca acaba ainda por nos dar visibilidade junto dos clientes de private label», assegura. Além disso, «deu-me muita experiência e foi assim que tive conhecimento de como funciona o mercado. Estar no segmento das marcas e perceber como evolui o mercado permitiu a nossa sobrevivência enquanto indústria», sublinha a sócia-gerente.

Atualmente, a empresa Meamstyle emprega cerca de 36 pessoas e tem clientes em vários mercados, especialmente na Europa, graças a uma forte aposta na diferenciação. «Não conseguimos trabalhar com preços baixos, por isso temos de ser alternativa», justifica Maria do Carmo Mendes. «Gosto de desafios, gosto muito de trabalhar com moda e gosto de fazer coisas diferentes», afirma ao Portugal Têxtil. «Estamos sempre à frente. Sempre fui de fazer coisas que os outros não faziam, sempre me tentei desviar do geral», refere.

Prova disso é que é a única expositora portuguesa nesta edição da feira parisiense Apparel Sourcing (ver Apparel Sourcing em contagem decrescente), que decorre em paralelo com a feira de tecidos Texworld (ver Mundo dos tecidos na Texworld), e os resultados do primeiro dia foram animadores. «Tivemos já contactos promissores dos mercados francês e holandês. E é o tipo de clientes que procuramos: marcas maiores, que compram quantidades. Os visitantes que aqui vêm mostram-se ávidos pela produção europeia», confessa a sócia-gerente da Meamstyle.