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Vietname em derrapagem

Enquanto cinco dos principais fornecedores de têxteis e vestuário aos EUA, incluindo a China e o Bangladesh, alcançaram ganhos durante o mês de fevereiro, o fraco desempenho do Vietname surpreendeu, com uma diminuição das expedições nacionais pela primeira vez em dois anos.

O mês de fevereiro é historicamente fraco no que respeita às importações de vestuário dos EUA, mas as tentativas de antecipar a entrega de mercadorias de primavera, devido às contínuas interrupções nos portos da costa oeste americana, propiciaram uma recuperação.

Os dados do Gabinete de Têxteis e Vestuário do Departamento de Comércio dos EUA mostram um aumento de 0,2% das importações de vestuário no decorrer do mês de fevereiro, em comparação com o período equivalente de 2014, recuperando, assim, da quebra de 4,2% assinalada em janeiro. As importações totalizaram o equivalente a 1,99 mil milhões de metros quadrados, um ligeiro aumento face ao equivalente a 1,98 mil milhões de metros quadrados assinalados no mês de fevereiro de 2014.

No que concerne o desempenho individual de cada país fornecedor, assinalaram-se diferenças significativas entre os três primeiros colocados. Enquanto as expedições provenientes da China, o maior fornecedor de vestuário dos EUA, aumentaram 2,1% para o equivalente a 770 milhões de metros quadrados em fevereiro, as do Vietname, o seu rival próximo, caíram 1,5% para o equivalente a 222 milhões de metros quadrados, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Isto representa o primeiro declínio do país desde setembro de 2012, quando registou uma diminuição de 3,9%.

Entretanto, o Bangladesh registou um aumento de 13,9% das suas expedições, para o equivalente a 155 milhões de metros quadrados, recuperando face ao decréscimo de 8,4% assinalado no mês de janeiro, ainda que aquém do aumento de 20% fixado em dezembro. A Índia alcançou, também, um crescimento de dois dígitos (+10,3%, para o equivalente a 91 milhões de metros quadrados) e arrecadou ganhos de 4,4% face ao mês anterior.

El Salvador e o Paquistão registaram aumentos de 7,4%, para o equivalente a 64 milhões de metros quadrados, e 4,8%, para o equivalente a 44 milhões de metros quadrados, respetivamente. Porém, no extremo oposto da escala, a Indonésia (-10,6%), as Honduras (-5,4%), o Camboja (-20,2%) e o México (-0,6%) registaram perdas significativas.

Os factos por detrás dos números
A China continua a ser uma fonte de aprovisionamento atrativa para os compradores de vestuário, com o aumento dos preços a ser compensado, em grande parte, por ganhos de produtividade. Além disso, nenhum país consegue competir com a China no que concerne à dimensão da sua base de aprovisionamento, leque de competências, níveis de qualidade, variedade de produtos e integração da sua cadeia de fornecimento.

Apesar do declínio assinalado em fevereiro, o Vietname tem beneficiado da diversificação das cadeias de aprovisionamento aplicada por produtores e compradores. O sector de vestuário do país tem sido, também, estimulado pelos benefícios antecipados da Parceria Trans-Pacífico (TPP na sigla inglesa), um acordo comercial estabelecido entre vários países da orla do Pacífico, incluindo o Canadá e os EUA.

A Índia terá lucrado com as encomendas subtraídas à China e ao Bangladesh durante o mês de fevereiro, bem como com a recuperação da economia americana.

Camboja, no entanto, continua a enfrentar críticas sobre as condições de trabalho praticadas nas suas fábricas de vestuário, incluindo alegações publicadas em março que identificam um sistema de controlo inadequado e corrupto e a subcontratação constante por parte dos fornecedores como as principais causas das contínuas violações dos direitos laborais.

Balanço atual
Os resultados mensais são particularmente voláteis, apresentando grandes variações entre os períodos, mas uma visão ampla dos resultados do ano até agora permite depreender que as importações americanas de vestuário e têxteis caíram 2,9% nos dois meses até fevereiro, para o equivalente a 9,12 mil milhões de metros quadrados, face aos 9,4 mil milhões registados no ano anterior. As importações de têxteis aumentaram 0,2%, para o equivalente a 2,38 mil milhões de metros quadrados, enquanto as de vestuário diminuíram 2,1%, para o equivalente a 4,04 mil milhões de metros quadrados.

As variações assinaladas nos três principais fornecedores de vestuário demonstram que, no decorrer dos dois meses, as importações provenientes da China caíram 3,3%, para o equivalente a 1,62 mil milhões de metros quadrados, e aquelas com origem no Vietname resvalaram 0,3%, para o equivalente a 462 milhões de metros quadrados. Em contrapartida, o volume de importações proveniente do Bangladesh aumentou 1,6%, para o equivalente a 307 milhões de metros quadrados.

Outros resultados positivos incluem o ganho de 3,6% em importações provenientes das Honduras, alcançando o equivalente a 157 milhões de metros quadrados, um aumento de 7,4%, para o equivalente a 177 milhões de metros quadrados, nos envios procedentes da Índia e um acréscimo de 8,8% das importações com origem em El Salvador, totalizando o equivalente a 112 milhões de metros quadrados.

Os declínios foram assinalados pela Indonésia (-11,5%, para o equivalente a 207 milhões de metros quadrados), Camboja (-13,6%, para o equivalente a 150 milhões de metros quadrados), México (-2,7%, para o equivalente a 142 milhões de metros quadrados) e Paquistão (-4,5%, para o equivalente a 95 milhões de metros quadrados).