Início Notícias Mercados

Vietname quer crescer na via verde

A indústria têxtil e vestuário vietnamita quer ser mais amiga do ambiente, com uma nova parceria desenhada para melhorar a qualidade da água e a utilização de energia no país do sudeste asiático. O desígnio faz parte de um projeto mais amplo que pretende fomentar a produção sustentável em países asiáticos.

A recente colaboração entre a Vietnam Textile and Apparel Association (VITAS) e o World Wildlife Fund (WWF), batizada “Greening Vietnam’s Textile Sector Through Improving Water Management and Energy Sustainability”, quer envolver os agentes do sector têxtil e promover uma melhor gestão da bacia hidrográfica, noticia o Sourcing Journal. O desígnio faz parte um objetivo mais amplo, patrocinado pelo gigante bancário HSBC, para fomentar a produção sustentável de vestuário na China, Bangladesh, Índia e Vietname.

Ainda que o Vietname não seja conhecido pela sua forte política social e ambiental, a VITAS afirma que a produção de vestuário tem «um impacto significativo» nos recursos hídricos, no consumo de energia e nas emissões de gases de efeito de estufa, que podem conduzir a um impasse na indústria. Para o superar, o sector deve adaptar-se a um planeta mais quente e com mais necessidade de água ou então irá desaparecer, segundo palavras do seu presidente, Vu Duc Giang. «O Vietname é o quinto maior exportador de vestuário do mundo, mas a nossa indústria é mais famosa pela sua produção de baixo custo, com padrões ambientais baixos», reconhece Giang. «Com os consumidores cada vez mais conscientes dos problemas ambientais, há muitas marcas a mudar os seus processos e a colocarem os padrões ambientais e sociais em níveis mais elevados. Se não mudarmos as nossas práticas agora, o Vietname pode deixar de ser competitivo. É por isso que o nosso projeto é tão importante e oportuno», explica.

O projeto com o WWF, que irá decorrer até 2020, tem como foco as zonas de Mekong e Dong Nai, em áreas à volta da cidade Ho Chi Minh, onde mais de metade das produtoras de vestuário está instalada. Além de encorajar as confeções a serem mais ativas no supervisionamento da água, a planearem uma utilização sustentável da energia e a unirem-se em investimentos sustentáveis no sector, o projeto envolve também investidores internacionais, como a China National Textile and Apparel Council, para «partilharem lições», revela a VITAS.

«Para o WWF, tornar o sector têxtil vietnamita mais sustentável é também um meio para atingir o nosso objetivo mais vasto de gerir melhor os recursos hídricos e energéticos, que são as preocupações ambientais mais importantes», admite Marc Goichot, consultor da WWF-Greater Mekong. «A longo prazo, queremos ver as empresas, os gestores dos parques industriais e outros agentes a unirem-se em ações coletivas para lidar com os riscos e os impactos que vão além das fronteiras das suas empresas e a olhar com mais responsabilidade para os recursos que são partilhados por vários sectores», assume.

Marc Goichot refere igualmente que os investimentos efetuados pelo WWF, incluindo um projeto realizado com a H&M de limpeza do Yangtze River na China e do Ganges-Brahmaputra no Bangladesh, vão colocar a organização numa boa posição. «Com mais de 10 anos a trabalhar na indústria têxtil de países como o Bangladesh, a China, a Índia e o Paquistão, o WWF acredita que podemos ajudar o Vietname a criar uma mudança positiva no sector», assegura.

Vietname, a nova China

Anualmente, a indústria do vestuário do Vietname tem aumentado em 10% a quota de mercado, à custa da China. Estima-se que as exportações possam atingir os 35 mil milhões de dólares (cerca de 30 mil milhões de euros) até ao final do ano e os 50 mil milhões em 2020, de acordo com a Dezra Shiran & Associates.

À medida que o custo de produzir na China aumenta, um número crescente de multinacionais tem-se deslocado para outros países, incluindo o Vietname, que é frequentemente designado pelos investidores do ocidente como «a próxima China». Comparado com os 120 dólares mensais, por 40 horas semanais, em regiões portuárias da China, os trabalhadores do Vietname recebem 50 dólares por mês para 48 horas semanais de trabalho, onde estão incluídos os sábados. Ainda assim, a indústria têxtil e vestuário está entre as mais importantes para a economia do país, contribuindo em 15% no total de exportações e empregando 3 milhões de pessoas entre 6.000 fábricas, indica a VITAS.