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VIGIA: o “Big Brother” ambiental

O CITEVE acaba de desenvolver uma poderosa ferramenta que tem como último objectivo ajudar as empresas e a comunidade a terem água mais limpa e cuidada. Já o apelidaram de “Big Brother” ambiental. Monitorizar, em tempo real, as águas residuais descarregadas por diferentes utilizadores espalhados por uma área geográfica determinada, centralizando essa informação numa entidade idónea e independente do utente poluidor e das entidades fiscalizadoras, foi o mote para o desenvolvimento do VIGIA. Este projecto, desencadeado pelo CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário há cerca de dois anos e actualmente em fase de conclusão, reveste-se de importância particular nos dias que correm, em que as agressões ambientais são cada vez menos toleradas. Para além de, na maioria dos casos, envolverem coimas e publicidade negativa, duas das possíveis consequências dum efluente mal controlado. O VIGIA consiste num equipamento, e respectivos instrumentos, de medição e compilação em tempo real de alguns parâmetros significativos do efluente, permitindo, entre outros, optimizar o funcionamento das estações de pré-tratamento em que estão instalados (se ao sistema forem acrescentados anéis de controlo) com possível redução de energia, oxigénio e produtos químicos. A informação obtida, que é partilhada com o centro de apoio externo, pode ser aproveitada para optimizar o sistema de recolha e tratamento dos efluentes e criar modelos de previsão da poluição baseados em parâmetros simples. Medição, transmissão e análise O VIGIA explora as possibilidades dos novos aparelhos de monitorização automática e de telecomunicações. Com os primeiros é possível medir e com os segundos transmitir os dados, que são depois analisados. Mas obter de forma automática os valores dos principais parâmetros que caracterizam os efluentes não é muito fácil. «Em primeiro lugar é preciso escolher, entre os que são usuais para caracterizar efluentes, o número menor possível dos que são realmente importantes para os objectivos pretendidos. Por vezes, alguns destes não são fáceis de determinar directamente com os mais modernos equipamentos existentes. Então há que procurar correlações de modo a que os parâmetros acessíveis dêem informação sobre os não acessíveis. Depois vem o critério do custo. Não é viável instalar equipamento cujo custo exceda o valor do serviço prestado, o que pode acontecer quando o tempo real não é importante e basta obter valores em tempo diferido» explica António Sarmento, consultor do CITEVE para a área do Ambiente e responsável pelo projecto. Seleccionado o equipamento de medida e análise, interessa pois definir o sistema de comunicação, de modo a que aqueles a quem a informação é destinada a recebam no momento em que ela é produzida. Conforme as circunstâncias particulares, a comunicação pode ser feita por rede telefónica de fios, celular (GSM) ou por TSF, ficando nesta altura definidas as entidades com acesso directo à informação. Resta finalmente estabelecer o programa de tratamento dos dados de forma a que o processo possa atingir todos os outros fins que se pretendem (vigilância em tempo real, avaliação da regularidade, evolução, prova testemunhal, etc.). Diversas aplicações Embora o Projecto VIGIA tenha sido desenvolvido para a Indústria Têxtil, a possibilidade da sua aplicação noutros ramos da indústria e nos efluentes municipais é encarada como provável. Câmaras que operam centrais de tratamento e que queiram fazer o seu controlo à distância poderão contactar o CITEVE para um estudo prévio técnico-económico a que poderá seguir-se a implementação dum sistema. Se isso for possível e o sistema for instalado, cada responsável passa a receber a sua informação ao mesmo tempo que o posto central de controle que dará o alarme e fará as recomendações sempre que se assinalarem desvios. É assim possível tomar medidas imediatas no caso de alteração dos valores pretendidos. Mas esta tecnologia tem outras aplicações igualmente aliciantes. Torna possível, por exemplo, estabelecer uma rede de controle de qualidade de água numa bacia hidrográfica, ou numa barragem, montando postos multiparamétricos em pontos chave. E o princípio é sempre o mesmo: depois de dado o alarme são accionadas medidas correctivas. Concluído o projecto, estes são alguns dos serviços que o CITEVE está apto a fornecer a empresas industriais, instituições e Estado. O projecto é financiado pela Agência de Inovação, no âmbito do programa europeu PRAXIS, medida 3.1b, com comparticipação financeira do FEDER e do FSE, e conta com a participação das empresas Arco Têxteis (promotor industrial), Vale de Tábuas e ORM (fornecedor de tecnologia). O VIGIA foi, de resto, o tema das intervenções de António Sarmento e de Alberto Resende, administrador da Arco Têxteis, na conferência “Perspectivas para a Indústria Têxtil e do Vestuário Europeia” que o pólo famalicense da Universidade Lusíada promoveu a 26 e 27 de Abril, e o projecto em destaque no stand do CITEVE na Municipália 2001 – II Feira dos Municípios/Instituições, que decorreu entre 17 e 20 de Maio em Castelo Branco.