Início Arquivo

Viragem no sourcing – Parte 2

As mudanças na cadeia de aprovisionamento parecem ter vindo para ficar, com o preço a deixar de ser o único fator em conta na hora de fazer as encomendas. As empresas, como o PVH, procuram agora parcerias a longo prazo, onde a rapidez e a sustentabilidade ocupam um lugar importante (ver Viragem no sourcing – Parte 1). O aprovisionamento deixou de ser uma relação simples de produção de um produto para se tornar numa relação colaborativa no desenvolvimento do mesmo, da conceção à entrega, criando um verdadeiro “ecossistema”. Evolução do “ecossistema” Fazer a transição para este chamado “ecossistema” entre retalhistas e os seus fornecedores ainda tem um longo percurso, «mas acredito que estamos a avançar muito rápido», indicou Green. «E os sobreviventes nos próximos 10 anos serão as pessoas que aproveitarem isso e ficarem à frente do jogo e começarem a tornar-se de valor inestimável para os seus clientes», acrescentou. As mudanças já em curso no PVH incluem uma evolução para o planeamento colaborativo e previsões com os fornecedores e um nível de transparência maior na base de aprovisionamento. «Há uma cada vez maior consciência de que se falarmos mais com as nossas fábricas, se lhes dermos uma visão para 12 meses, se lhes dermos alguma estabilidade, então vamos beneficiar» – em termos de melhoria da produtividade, eficiência e melhores preços. «Começámos a trabalhar muito mais com as nossas bases de fornecedores em soluções da cadeia de aprovisionamento do início ao fim, modelos de produção mais limpos e relações do just-in-time», revelou. O próximo passo lógico é que toda a cadeia de aprovisionamento trabalhe de forma colaborativa «para que se a minha marca estiver bem, os meus fornecedores estarem bem». Focar-se nos mesmos objetivos e indicadores de performance, e até transparência nos lucros, são vistos como fundamental. Green citou ainda visão de liderança, inovação tanto no produto como «soluções de sourcing efetivas», abraçar a mudança e uma cultura que facilite a contínua melhoria como estando no centro da criação desta interdependência. «A coisa mais importante que partilho com todas as minhas equipas é isto: só há um cliente, e esse é a pessoa que está a comprar esse produto. Todos os outros são um cliente e um fornecedor». E, como sublinhou Green, este quadro mental «ajuda a facilitar o crescimento para uma relação interdependente». Mudança do produto para o serviço Para o consultor da indústria David Birnbaum, diretor-geral da Third Horizon, «a cadeia de aprovisionamento do futuro não vai ser melhor do que é hoje; não vai ser mais eficaz, não vai ser mais produtiva, provavelmente não vai ser mais eficiente em termos de custos – será apenas diferente». Birnbaum acredita que «vai-se trabalhar com um grupo de fábricas importantes que são estratégicas e olham para si como um cliente estratégico». A sua visão engloba as diferenças entre o gabinete de compras, com o seu foco no preço FOB, e o processo de fazer o sourcing direto de uma peça de vestuário e respetivas matérias-primas dos melhores fornecedores possíveis. «Como é que isto vai mudar no futuro?», questionou. «Do meu ponto de vista, a grande alteração será a mudança da orientação do produto para a orientação para o serviço. No fim vai provavelmente haver um modelo; e isso não será um gabinete de compras mas um grupo de pessoas que fazem toda a cadeia de aprovisionamento e podem fazer qualquer coisa. São as pessoas a que se terá de recorrer», explicou. O consultor está convencido que «comprar diretamente é o caminho do futuro. Vai-se trabalhar com um grupo de fábricas estratégicas. À medida que a indústria se afasta do FOB para a entrega com taxas pagas, das letras de crédito para as contas abertas, e do pagamento a sete dias para 30 a 60 dias, então as fábricas terão uma responsabilidade direta. E o que vamos ver nas compras diretas é que as fábricas marginais, que não podem fornecer nada a não ser um preço barato de corte e confeção, vão ir à falência. As fábricas de qualidade, as que fornecem serviços, que têm bom produto enviado a tempo, são as fábricas com que se vai trabalhar».