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Virtual atrai “gigantes”

No passado mês de Abril, as Galerias Lafayette abriram a sua 61.ª loja… na Internet. Um mês mais tarde, foi a vez do Bon Marché se lançar nas vendas on-line com um site baptizado treeslbm.com. Um nome um pouco surpreendente, que mistura a palavra “trees” ou “Árvore” em inglês, e as iniciais (Lbm) da grande loja parisiense, que dÁ, assim, uma dimensão internacional e um posicionamento original a esta montra de comércio virtual. No próximo mês de Setembro, o BHV, outra marca do grupo Galerias Lafayette, deverÁ também direccionar-se para o comércio electrónico, começando por vender produtos de decoração. O Monoprix entrarÁ também no “jogo” propondo produtos alimentares. O grupo Galerias Lafayette, que jÁ tinha experimentado o comércio electrónico com o lançamento em 2002 do ciber-mercado Telemarket, vendido em 2005 a uma empresa de fundos de investimento, preferiu jogar pelo seguro e escolher o momento certo para se aventurar mais uma vez no mercado das vendas on-line. Actualmente, 21 milhões de franceses compram on-line. Tornou-se uma realidade. Para os grandes armazéns, o comércio electrónico converteu-se numa ferramenta da relação com o cliente e uma oportunidade de crescimento», afirma Marc Lollivier, delegado-geral da Fevad (Federação das Empresas de Venda à Distância), que conta com as Galerias Lafayette entre os seus novos membros. O site Galeries-Lafayette.com propõe uma selecção de 3.000 produtos de 55 marcas de gama alta, como acessórios, vestuÁrio e joalharia, entregues em dois dias por toda a Europa através do Chronopost e do UPS e em três horas em Paris, com um serviço Vip. Agnès B, Antik Batik, Zadig&Voltaire, Maje, Sandro, Swarovski são algumas das marcas referenciadas, propostas sob o nome “listas de marcas” ao lado da rubrica “lojas de luxo”, que reúne espaços jÁ reservados a algumas marcas, tais como Boucheron, Fred, Christian Lacroix, Kenzo, Sergio Rossi e Gucci. O site foi imaginado por uma equipa interna sob a direcção de Bruno Teboul, conhecedor da Internet e do universo da moda, jÁ que foi director da printemps.com, vice-presidente de marketing do site Brandalley, antes de lançar o fashionandluxe.com, no início de 2006. Os objectivos do novo site são ambiciosos, com a meta de atingir os 100 milhões de euros de volume de negócios em 2015. Lançado a 21 de Maio último, o site do Bon Marché, filial do grupo de luxo LVMH, distingue-se dos outros sites comerciais, posicionando-se também como um espaço de expressão, com um conteúdo editorial em parceria com a revista Fascineshion.com, uma video-revista francesa on-line, com vídeos sobre arte e moda. A parte comercial do site propõe 400 artigos de uma centena de marcas de moda, acessórios para senhora, artigos de beleza e para a casa, mas não estÁ acessível a todos. Os clientes têm primeiro que se inscrever e criar a sua conta, sujeita a um código de acesso, disponível na loja física ou em alguns blogs. Alguns artigos e serviços são exclusivos e, com as parcerias estabelecidas com marcas de luxo, os visitantes podem ser redireccionados para os sites dessas mesmas marcas. A chegada de todos estes grandes armazéns franceses à Internet pode parecer tardia. O comércio electrónico regista taxas de crescimento relevantes todos os anos no HexÁgono e cerca de um em cada dois internautas compra hoje vestuÁrio on-line. Além disso, existem exemplos de sucesso no estrangeiro. As grandes lojas americanas ou inglesas fazem jÁ grandes volumes de negócio na Internet. A Wal-Mart abriu o seu site logo em 1996. Após um início difícil (o site fechou, antes de reabrir em 2000 para se aproximar do modelo de sucesso Amazon), o distribuidor americano estÁ hoje entre os maiores líderes de vendas na Internet. EstÁ mesmo prestes a estender as suas actividades de comércio electrónico a outros países, como o Brasil. A Neiman Marcus, marca de grandes lojas americana de gama alta, lançou-se nas vendas on-line em 1999 e em alguns anos tornou-se também um dos grandes players de comércio electrónico nos EUA. Mas o perfil e o percurso das grandes lojas do outro lado do Atlântico são muitas vezes diferentes das europeias. Algumas, especialmente as maiores, como a JC Penney e a Sears, nasceram com catÁlogos de venda à distância antes de desenvolver as lojas físicas e investiram na Internet muito naturalmente. Não é fÁcil integrar este novo canal de venda à distância para uma grande loja que nunca fez vendas à distância», sublinha Marc Lollivier. é preciso também ter em atenção se as taxas de equipamentos (de acesso à Internet) são suficientes. Hoje em dia, com 56% de franceses ligados, é suficiente. Por fim, é o sucesso de um caminho intelectual. Sabemos actualmente que uma loja virtual não retira a clientela da loja tradicional. Na verdade, 60% dos internautas que compram numa loja tradicional consultaram antes o site. Sabemos também que o preço jÁ não é o único critério que pesa na decisão de comprar na Internet. E a procura dos consumidores é forte. O erro estratégico para estas marcas é não investirem na Internet». De acordo com este observador, a chegada dos grandes armazéns marca a terceira vaga do comércio electrónico» em França, após a chegada dos players puros» e dos especialistas nas vendas à distância, que dominam ainda o sector mas que estão actualmente pressionados pelos novos players, como a Kiabi ou a Décathlon, que podem vir a juntar-se em breve ao pelotão da frente das maiores empresas de venda on-line.