Início Notícias Mercados

Visons na linha de mira

A lista de países a reportar casos de SARS-CoV-2 em quintas de criação de visons junto da Organização Mundial de Saúde Animal, que inclui já a Dinamarca, Países Baixos, Espanha, Suécia, Itália e EUA, soma agora a Grécia, quinta maior fornecedora de visons na Europa, juntamente com a Lituânia.

[©24 Heures]

Mais de 2.000 animais foram abatidos no norte da Grécia na passada sexta-feira, após deteção do coronavírus numa quinta, anunciou o Ministério da Agricultura grego citado pela agência AFP. Dois trabalhadores numa quinta de criação de visons em Kozani tinham dado positivo ao Covid-19 dois dias antes. Testes de despistagem em nove animais revelaram a sua contaminação, enquanto outros apresentavam sintomas do vírus, segundo o comunicado do ministério.

Nove trabalhadores de quatro outras quintas em Kozani e na cidade vizinha de Kastoria também deram positivo. As autoridades estão a investigar se os visons destas propriedades estão igualmente infetados. A produção de peles de vison é uma das principais atividades económicas das regiões de Kozani e de Kastoria.

A Dinamarca, a maior exportadora mundial de peles de vison, tinha já anunciado o abate de todos os seus 15 milhões de animais, ordenado pelo governo, alegando que uma versão mutante do SARS-CoV-2, que poderia ameaçar a eficácia do uma futura vacina, havia sido transmitida por esses animais a humanos.

O reino escandinavo enfrentou casos de coronavírus desde junho em muitas quintas, principalmente no norte da região da Jutlândia. Vários abates tinham vido a ocorrer na região e pelo menos um deles exigiu a intervenção da polícia, face à recusa do proprietário em deixar as autoridades entrar. Em Gjol, várias dezenas de manifestantes mostraram seu apoio a um criador, com cartazes “Pare o abate de animais saudáveis”, avançou o jornal Ekstra Bladet. Cada animal abatido recebia uma indeminização de cerca de 175 coroas dinamarquesas (pouco menos de 25 euros), estivesse a quinta contaminada ou não.

Vários casos suspeitos de transmissão de vison para humanos tinham já sido identificados nos Países Baixos, no início da primeira vaga da pandemia na Europa.

A rainha dos visons

Com mais de 17 milhões de visons abatidos em 2018, mais da metade da produção europeia e mais de um quarto da produção mundial, a Dinamarca é a maior exportadora mundial e a segunda maior fornecedora de peles de vison, depois da China (mais 20 milhões) e antes da Polônia (cerca de 5 milhões), de acordo com a ONG de proteção animal Humane Society, que tem vindo a fazer campanha pela extinção deste sector de atividade.

[©AFP]
As autoridades de saúde dinamarquesas acreditam que a mutação do novo coronavírus encontrada em visons tenha sido, entretanto, erradicada e suspenderam as restrições decretadas há duas semanas na área mais afetada, noticiou a Lusa ontem. «Nenhum outro caso da mutação em visons Cluster 5 foi detetado desde 15 de setembro, razão pela qual o instituto encarregado de doenças infeciosas (ISS) acredita que essa mutação está provavelmente extinta», afirmou o Ministério da Saúde dinamarquês em comunicado.

As autoridades dinamarquesas tinham eliminado, no dia 13 de novembro, algumas das restrições decretadas em sete municípios do norte da Jutlândia e que, em princípio, deveriam vigorar até 3 de dezembro.

A medida de abate dos visons ordenada pelo governo dinamarquês gerou uma crise política no país, ao se constatar que não tinha cobertura legal para ordenar o sacrifício obrigatório de todos os animais, mas sim apenas onde tivesse sido detetado o contágio ou na sua área vizinha. O ministro da Agricultura, Mogens Jensen, viu-se obrigado a renunciar ao cargo na quarta-feira, depois de ter sido criticado pela gestão da crise provocada pela descoberta de uma mutação do novo coronavírus em visons. No dia 4 de novembro, a Dinamarca ordenou a eliminação de todos os visons existentes no país, após a descoberta de uma mutação do novo coronavírus transmissível ao ser humano por esses mamíferos.

Na Dinamarca existem 1.139 quintas de criadores de visons, empregando cerca de 6.000 pessoas, que agora admitem que o abate massivo destes animais acabará com o negócio.

De acordo com o Worldometers, desde o início da pandemia foram diagnosticadas 57.476.053 de pessoas com Covid-19 em todo o mundo, com o vírus a causar a morte de 1.369.553 indivíduos. Em Portugal, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), foram confirmados 249.498 casos positivos até ao dia de hoje, com 163 mil recuperados e 82.736 ainda ativos. No nosso país, a pandemia causou já 3.762 óbitos.