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Vuitton encerra lojas na China

A Louis Vuitton pretende diminuir a sua presença em território chinês, iniciando uma tendência que se poderá estender a outras entidades da indústria e que reflete a desaceleração do mercado.

A casa de luxo francesa pondera o encerramento de oito espaços comerciais em cidades secundárias da China, o que representa cerca de um quinto do total de lojas no país. Embora algumas possam, ainda, ser deslocalizadas ou renovadas ao invés de encerradas a título definitivo, a contagem de lojas irá diminuir.

A Louis Vuitton está a encerrar lojas para «evitar a sobre-exposição» da marca, acompanhando a transformação da dinâmica do mercado, num momento em que, cada vez mais chineses optam por fazer compras no exterior, acredita Mario Ortelli, analista da Sanford C. Bernstein em Londres. «Isto é algo muito normal quando acontece uma rápida expansão da rede de lojas», refere.

A casa de moda está a avaliar a sua exposição na China, num momento em que os consumidores privilegiam o Japão e a Europa como principais destinos de compras, onde a desvalorização do iene e do euro permitem adquirir artigos de luxo por um preço mais reduzido. A campanha do governo contra as despesas extravagantes afetou, também, a procura doméstica e os mercados vizinhos. O relojoeiro TAG Heuer encerrou uma loja em Hong Kong, em agosto, e o Burberry Group Plc anunciou, no início deste mês, que iria reduzir o tamanho da sua maior loja na cidade.

Rede de retalho

A Louis Vuitton detém 41 lojas na China, de um total de 453 em todo o mundo, de acordo com o Exane BNP Paribas. Um porta-voz da empresa-mãe, o grupo LVMH, afirmou que a Vuitton continuará a investir na sua rede de retalho na China, acrescentando que a empresa pretende inaugurar duas lojas no país em 2016 e renovar outros dois espaços. No entanto, recusou-se a comentar os encerramentos.

De acordo com Luca Solca, analista da Exane, poderá seguir-se o encerramento de outras lojas de concorrentes no sector. As marcas Gucci e Burberry, que se depararam com dificuldades acrescidas neste mercado, detêm mais lojas do que a Vuitton em território chinês, de acordo com a Exane. Os consumidores chineses respondem por cerca de um terço das vendas globais do segmento de luxo. A Gucci detém 57 lojas na China, enquanto a Burberry possui 55.

«À medida que uma percentagem crescente das vendas ocorre no estrangeiro, em resultado das grandes diferenças de preços existentes, as lojas na China Continental incorrem em baixa produtividade do espaço, daí a necessidade do ajuste», indica Solca.

O diretor financeiro do grupo LVMH, Jean-Jacques Guiony, afirmou no mês passado que a Louis Vuitton poderia encerrar algumas lojas na China, onde detém dois espaços comerciais em cidades secundárias. No entanto, a contagem de lojas na China deverá permanecer «razoavelmente estável nos próximos anos», sustentou.

Em termos globais, o mercado de bens de luxo pessoais deverá crescer apenas 1% este ano, a taxa mais baixa desde 2009, estima a Bain & Co.

O LVMH, cujo nome completo é LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton SE, reportou um aumento de 3% das vendas de artigos de moda e couro no terceiro trimestre de vendas, estimulando as previsões.