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Wal-Mart aposta na Índia

O sector de retalho indiano, avaliado em 450 mil milhões de dólares, com o retalho organizado a representar apenas 6%, está praticamente fechado às empresas estrangeiras e favorece as pequenas lojas, que servem de sustento a centenas de milhares de pessoas num país com mais de 1 milhar de milhão de habitantes. Mas o governo do primeiro-ministro Manmohan Singh adoptou um tom mais positivo em relação à flexibilização das regras, apesar do potencial efeito político negativo que poderia causar em alguns dos eleitores do partido. Mike Duke, director-executivo da Wal-Mart Stores Inc., afirmou que «em relação ao momento [de abertura do sector], não é realmente a minha posição definir isso. Cabe ao governo indiano, mas a sensação que tenho é um sentimento muito positivo nas discussões que tivemos [com funcionários do governo]». Duke mostra-se, contudo, optimista em relação ao negócio das lojas de desconto Wal-Mart nos EUA para o próximo Natal, acrescentando que a empresa tomou medidas para ter uma estação de compras mais positiva do que em relação a 2009. A Wal-Mart, numa parceria com o principal grupo de telecomunicações da Índia, a Bharti Enterprise, opera quatro superfícies cash-and-carry na Índia e também fornece lojas de retalho geridas pela Bharti. A joint-venture planeia abrir uma quinta loja ainda este ano. Duke recusou, todavia, revelar como o maior retalhista do mundo reagiria a uma decisão repentina de abrir o sector de retalho indiano. «Dependendo do resultado [de qualquer decisão do governo], vamos analisar com os nossos parceiros quais serão os próximos passos», revelou Desde há muito tempo que a Wal-Mart tem intervindo junto do governo indiano, do sector privado e dos agricultores locais para conquistar apoio para a remoção das restrições ao investimento das empresas estrangeiras no retalho multimarca no segundo país mais populoso do mundo. De resto, a maioria dos grandes retalhistas como Wal-Mart e Carrefour tem esperado que a Índia alivie as restrições à propriedade estrangeira para começarem a operação de retalho. A Índia representa grandes oportunidades para os actores estrangeiros, devido a factores como: dimensão da população, crescimento económico previsto, classe média crescente e falta de um mercado de retalho maduro e organizado. Alguns analistas referem que a abertura do retalho ao investimento directo estrangeiro pode ajudar a criar milhares de empregos e controlar a inflação no preço dos alimentos e a diminuição dos resíduos num país onde pelo menos 40% da produção apodrece por causa do armazenamento e transporte inadequados. As regras actuais da Índia limitam o investimento directo estrangeiro nas lojas de marca única a 51%, enquanto os retalhistas que possuem múltiplas marcas estão restringidos às superfícies de cash-and-carry ou grossistas. A entrada de retalhistas multinacionais na Índia tem sido envolta em controvérsia, com os movimentos para a abertura do sector a receberem a oposição dos partidos de esquerda e dos pequenos comerciantes que receiam a perda de postos de trabalho.