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Walmart e H&M mais ecológicas

Existem métodos de produção mais limpos e com custos mais eficazes para o tingimento e acabamento de têxteis, mas muitas fábricas na China e na Ásia em geral, especialmente as mais pequenas e mais antigas, mantêm o status quo até que os seus clientes exijam a adopção de práticas sustentáveis. A Walmart concordou recentemente em dar aos seus fornecedores esse empurrão adicional. Na Clinton Global Initiative, o gigante do retalho anunciou que iria trabalhar com os fabricantes têxteis chineses para adoptar melhores práticas na indústria. O NRDC (Natural Resources Defense Council), grupo norte-americano de acção ambiental, pretende ajudar a orientar este processo através do programa Clean by Design, que identificou 10 práticas simples e de baixo custo, que reduzem drasticamente o consumo de energia, água e produtos químicos, na tinturaria e acabamento. O anúncio da Walmart surge na sequência de uma iniciativa semelhante, desenvolvida pelo NRDC com a H&M em Xangai. Isto significa que dois dos maiores retalhistas de vestuário do mundo estão empenhados em limpar uma das maiores fontes mundiais de poluição industrial. O tingimento e acabamento de tecidos pode poluir o equivalente a 200 toneladas de água por cada tonelada de tecido. O processo também consome uma quantidade enorme de energia na produção de vapor e água quente. Com a indústria têxtil centralizada na China, Índia, Bangladesh e Vietname, onde os governos ainda estão a desenvolver as regulamentações ambientais, o sector é responsável por uma enorme pegada ambiental. Felizmente, algumas fábricas já começam a reconhecer o valor das práticas mais limpas. As 10 técnicas que a NRDC identificou podem realmente poupar dinheiro às empresas. Por exemplo, a reutilização da água de refrigeração requer um custo inicial de 1.500 dólares, mas o investimento é recuperado em apenas um mês. A empresa têxtil Redbud em Changshu, na China, um fornecedor da Walmart, consegue economizar cerca de 840.000 dólares ao ano, com custos iniciais de apenas 74.000 dólares. Há apenas algumas semanas atrás, o director executivo do NRDC, Peter Lehner visitou duas empresas têxteis chinesas que participam no programa Clean by Design. Quando perguntou aos directores o que seria necessário para levar mais empresas vizinhas a abraçarem essas práticas industriais mais limpas, ambos responderam: «mais marcas de renome». Grandes nomes como Walmart e H&M têm o poder de compra necessário para impulsionar a melhoria de toda a cadeia de aprovisionamento.