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Wang investe no “made in Europe”

O designer Alexander Wang está a direcionar parte da produção da sua marca epónima para o continente europeu, jogada que vem complementar a investida na Ásia e garantir o acesso da insígnia à qualidade reconhecida ao “Velho Continente”.

Desde que o designer lançou a marca, em 2005, a base de produção na Ásia ajudou a que esta apresentasse uma desejável e lucrativa receita de design atrativo e preços acessíveis. Não obstante, nos últimos dois anos, a Alexander Wang tem vindo a transferir parte significativa da sua produção para fornecedores europeus, incluindo fábricas localizadas em Itália, Espanha e Portugal.

A transferência foi faseada, ocorrendo à medida que a insígnia sofria mutações no seu design – fazendo um upgrade em direção ao luxo com itens mais intrincados e caros (ver Carta ao futuro), que incluíam, por exemplo, casacos de couro a um preço que rondava os 3.000 dólares (aproximadamente 2.736 euros). «Estamos sempre a tentar melhorar o nosso produto», referiu Alexander Wang ao portal The Business of Fashion.

Até 2014, cerca de 90% da produção da marca ocorria na Ásia. Hoje, esse número é cerca de 70%, com os restantes 30% da produção a acontecerem na Europa (incluindo a Turquia).

Cerca de 30% da alfaiataria da Alexander Wang é produzida na Europa (principalmente na Itália), enquanto algumas peças de jersey para a T by Alexander Wang, a linha de básicos a preços mais acessíveis, são fabricados em Portugal.

Os “Annika”, o modelo de calçado feminino de camurça e a nova gama de bolsas “Rogue” são inteiramente manufaturados em Itália, perto de Veneza e Florença, respetivamente.

A jogada europeia também resulta de uma preocupação com a perceção do consumidor. «Penso que certos consumidores prestam, definitivamente, atenção», disse Wang, sobre o papel que o local onde os produtos são produzidos interpreta nas vendas.

Nos últimos anos, os fabricantes de vestuário e acessórios europeus têm vindo a tornar-se mais competitivos em relação às fábricas asiáticas, muitas das quais têm apostado na melhoria das suas competências e na eficiência da produção, o que fez escalar os preços.

Cotudo, o aumento da produção na Europa e à volta dela não deverá reduzir os custos ou aumentar as margens da Alexander Wang a curto prazo, de acordo com o designer. «Estamos a encarar isto como um investimento a longo prazo», explicou, acrescentando que os novos destinos de produção da marca não terão impacto nos preços de retalho dos seus produtos.

Transferir parte da produção para a Europa é, ainda, uma opção prática, revelou Rodrigo Bazan, presidente da Alexandar Wang. Ainda que a maioria das lojas esteja na Ásia, a Europa é o maior mercado grossista da marca e 90% das matérias-primas utilizadas nos artigos são europeias, o que significa que a produção no continente europeu reduz o processo dispendioso e demorado de transporte. «Simplifica, certamente, toda a equação de desenvolvimento e de produção», destacou Bazan.

Uma base de produção internacional mais diversificada permitiu também que a marca se expandisse para novas categorias de produtos, como alpercatas, que fabrica em Espanha, e joias, feitas em Itália. «Quanto mais expostos estivermos a essas linhas de produção, mais seremos capazes de discernir outras oportunidades, noutras categorias», indicou Alexander Wang.

Cerca de 60 a 70% das malhas da Alexander Wang – bem como outras categorias, incluindo a “alfaiataria suave”, que recorre à seda – continuarão a ser feitas na Ásia com as fábricas que fornecem «um produto de qualidade a um preço acessível», revelou Wang.

No calçado desportivo, cuja produção a marca encaminha para fábricas que também produzem para as gigantes do sportswear Nike e Adidas, Wang vai continuar a contar com a produção asiática, pela sua «especialidade e maquinaria», acrescentou o designer.

Quanto aos planos da marca em mudar mais quantidade de produção para a Europa nas próximas estações, Wang afirmou apenas que está a «avaliar as opções». «Assistimos a uma excelente reação no showroom e sabemos que haverá um maior volume de produtos», referiu Bazan. «Então, naturalmente, esta será uma percentagem maior da nossa produção total», concluiu o presidente da Alexander Wang.