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Wearables de pedra e cal

A mensagem é universal e as marcas citam-na em uníssono: o vestuário inteligente veio para ficar, ainda que a palavra “wearable” comece a perder força pela sua constante repetição.

Depois do fato inteligente da Samsung – que envia uma mensagem de “não incomodar” aos colegas de trabalho quando o utilizador está indisponível – e do Welt Belt, – ou Wellness Belt, que deteta quando o utilizador ingere uma refeição substancial e automaticamente se adapta para “libertar” a cintura (ver O capítulo da Samsung) –, o que se seguirá no segmento das roupas inteligentes?

De acordo com o portal de tendências WGSN, a palavra “wearable” poderá desgastar-se, uma vez que o termo acaba por ser usado para designar artigos que vão desde pulseiras de fitness a anéis inteligentes, passando pelo vestuário. Felizmente, isso está a mudar e, segundo os analistas do sector, num futuro próximo, os wearables serão simplesmente conhecidos como “roupas” (ver O novo normal).

De acordo com o MarketResearch.com, deverão ser lançados 26 milhões de peças de vestuário inteligente em 2016.

Mas, porquê agora? Existem vários fatores que fazem aumentar a quota de mercado deste segmento: há mais empresas a produzir roupas inteligentes, a tecnologia é mais estável e menos propensa a falhas e as pessoas tornam-se mais tecnologicamente dependentes de ano para ano.

No entanto, o maior fator contribuinte pode, afinal, ser o mais simples: nem todos os consumidores querem usar um relógio/pulseira, mas todos precisam de usar roupas e é nisso que os fabricantes e as empresas de tecnologia estão a apostar.

E, com a indústria do vestuário a produzir 19 mil milhões de peças de vestuário por ano, 150 vezes o número de telemóveis produzidos, esta parece ser uma aposta segura.

Atualmente, o activewear é o jogador com mais potencial neste campo – tendo por base o número de dispositivos móveis de fitness existentes no mercado. As empresas de moda têm entrado neste jogo a um ritmo mais lento (são exemplos a camisola inteligente da Ralph Lauren ou o casaco movido a energia solar da Tommy Hilfiger), mas é provável que ganhem velocidade este ano com base na inovação dos tecidos e sensores.

Mas como poderão os fabricantes de vestuário e os designers adicionar roupas inteligentes à sua oferta? Primeiro, devem decidir qual o valor acrescentado que a tecnologia trará à peça de vestuário. A tecnologia pela tecnologia pode resultar na perda de clientes fiéis que procuram roupas funcionais inteligentes.

Depois, há que estabelecer o propósito do vestuário e, por fim, decidir, de acordo com o orçamento da empresa, se o vão produzir dentro de portas ou subcontratar – para as empresas incapazes de desenvolver o produto in-house, a melhor estratégia, de acordo com o WGSN, é a parceria com empresas de tecnologia.

Os módulos Curie da Intel e Artik da Samsung são provavelmente os sensores mais conhecidos, alimentando itens como o Adrenaline Dress ou o Smart Suit. No entanto, as experiências com sensores e tecnologias wearables estão a ganhar impulso no mercado e as empresas parecem abertas a parcerias estratégicas. Ainda que relativamente pequenas, empresas como a Cityzen Sciences (França), Gymi (Austrália) e a OMsignal (Canadá) revelam maturidade nesta área.