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Xangai adora luxo

Segundo a World Luxury Association, Xangai assumiu a liderança do mercado chinês de luxo em 2010/2011, com 18,3% das vendas totais, à frente de Pequim com 16,2% e da cidade oriental de Hangzhou, com uma quota de 13,4%. As cidades de segundo e terceiro níveis do país – que a revista Forbes diz possuírem 146 multi-milionários em dólares – ainda estão muito atrás, apesar de ostentarem um número crescente de pessoas ricas. «Xangai é certamente a cidade onde a maioria das marcas [de luxo] tem a sua sede», refere Angelica Cheung, editora da revista Vogue na China. De acordo com Cheung, Xangai é também uma «cidade comercial» e, durante muito tempo, o mercado imobiliário de Pequim não estava pronto para acolher grandes centros comerciais de luxo, mesmo que isso agora tenha mudado. Xangai conta com 132 mil moradores que têm mais de 10 milhões de yuans (1,6 milhões de dólares) à sua disposição e, como tal, tem um reservatório de clientes que podem gastar uma fortuna em produtos de luxo – com as marcas francesas e italianas na frente. A francesa Hermès escolheu Xangai no ano passado para lançar a marca Shang Xia – uma marca de luxo que incorpora uma mistura de artesanato tradicional chinês e design contemporâneo. Em meados de Setembro, Patrick Thomas, director da Hermès, afirmou que os resultados da Shang Xia ficaram «largamente acima das expectativas», apesar da marca ter ainda de gerar lucro – com 60% a 70% dos seus clientes chineses. Nos cinco andares que compõem o centro comercial mais luxuoso da cidade – o Plaza 66 –, as mais prestigiadas marcas do mundo, como: Dior, Chanel, Prada, Versace, Armani, Louis Vuitton, Hugo Boss e Bulgari, competem para atrair a atenção dos habitantes mais abastados de Xangai. «Nós não sentimos o impacto da crise», revelou o director da loja Tod’s localizada no Plaza 66. Esta percepção é confirmada por Nicola Adamo, gerente de relações convidado na loja da Dolce & Gabbana. «O que a maioria das pessoas quer é marcas. O dinheiro não é um problema, e se eles gostam da marca, podem gastar 100 mil yuan [mais de 10 mil euros]», explicou Adamo. Os consultores da KPMG referiram num relatório recente que uma característica única na China é o elevado número de jovens milionários – «muito mais jovens do que as suas contrapartes ocidentais», refere o documento. Estes consumidores jovens seguem apaixonadamente a moda on-line, especialmente de blogues. «Os residentes de Xangai têm a reputação de serem consumidores inteligentes, que comparam frequentemente os preços», indicou Cheung. «Estes consumidores também viajam muito, comprando produtos de luxo em Hong Kong, Milão, Londres ou Paris», concluiu.