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Yahoo e Alibaba em guerra

A batalha da Yahoo Inc com o Alibaba Group intensificou-se, com declarações contraditórias de cada um dos lados sobre a transferência de um grande activo on-line da empresa chinesa para o seu director-executivo. Os analistas afirmam que a entrega do Alipay, um sistema de pagamento de comércio electrónico similar ao PayPal do eBay, ao director-executivo do Alibaba, Jack Ma, reduziu o valor da quota de 43% da Yahoo no Alibaba, que também opera a maior empresa de comércio electrónico da China, Alibaba.com Ltd. A Yahoo afirma que não tomou conhecimento do negócio, enquanto o Alibaba contra-argumenta que a Yahoo estava a par da transacção uma vez que tem um assento no conselho de administração, agora detido pelo anterior director-executivo da Yahoo, Jerry Yang, que é também um dos directores da Yahoo. As acções da Yahoo caíram 14% desde que a empresa revelou a transferência num documento regulamentar. A querela sublinha as relações tensas entre Ma e Carol Bartz, directora-executiva da Yahoo desde Janeiro de 2009. Bartz está sob pressão para impulsionar o volume de negócios e levar mais visitantes à Yahoo, que está a perder terreno para rivais como o Google Inc e o Facebook. A quota no Alibaba é considerada uma das mais-valias da Yahoo. Tanto Bartz como o presidente da Yahoo, Roy Bostock, estão numa «posição quente», considera Eric Jackson, membro da administração do fundo de capitais Ironfire Capital. «Na melhor hipótese parece que a Yahoo – sobretudo Jerry Yang – tem estado fora do círculo», afirmou. «A administração da Yahoo tem de olhar para o espelho e dizer: “o que precisamos de mudar para que isto fique bem”?», sublinhou Jackson. A Yahoo investiu mil milhões de dólares (710,78 milhões de euros) no Alibaba em 2005, mas o Alibaba tornou claro que queria comprar a quota da Yahoo. «Simplesmente não confio neles», indicou Ma à revista Forbes na edição de Abril de 2011. No entanto, Bartz tinha dito à Reuters em Setembro passado que não tinha planos de venda. Alguns analistas estimam que os bens asiáticos da Yahoo, incluindo uma quota de 35% na Yahoo Japan Corp, representam pelo menos metade do valor de mercado da empresa sedeada em Sunnyvale, na Califórnia. Em relação ao negócio em questão, a Yahoo e o Alibaba não concordam sequer em termos da data em que o Alipay foi transferido para Ma ou se o conselho de administração do Alibaba sabia. Segundo o Alibaba, o conselho foi avisado em Julho de 2009 que a transferência tinha ocorrido. No entanto, a Yahoo afirma que a transferência aconteceu em Agosto de 2010, dando a Ma a totalidade da propriedade do Alipay, e que a Yahoo só soube a 31 de Março de 2011. O japonês Softbank Corp também detém uma quota no Alibaba. Quatro directores fazem parte do conselho do Alibaba, incluindo Yang e o fundador do Softbank, Masayoshi Son. «Acho impossível acreditar, em termos racionais, que um membro do conselho da Yahoo se tenha mantido quieto durante um processo através do qual um bem de valor era transferido para o CEO do Alibaba e não tenha apresentado objecções», afirmou Manning Warren, um professor de direito empresarial na Universidade de Louisville. Numa declaração, o porta-voz do Alibaba, John Spelich, afirmou que os directores foram «avisados numa reunião de conselho em Julho de 2009 que a maioria do capital do Alipay tinha sido transferida para propriedade chinesa». Ainda segundo o Alibaba, a transacção foi necessária para cumprir a lei chinesa, para assegurar que o Alipay podia continuar a operar. Já a Yahoo mantém a sua posição inicial de que o negócio Alipay ocorreu «sem o conhecimento ou aprovação do conselho de directores ou accionistas do Alibaba Group». A Yahoo afirma que está em conversações «activas e construtivas» com o Alibaba e o Softbank «para preservar a integridade» da sua quota. «É surpreendente que possa haver este tipo de lapso de comunicação», considera Ken Sena, analista na Evercore Partners. O fundo de capitais de David Einhorn, o Greenlight Capital, comprou recentemente uma quota «significativa» na Yahoo, afirmando que a sua posição no Alibaba pode, mais tarde, valer mais do que o Yahoo vale agora. Warren afirmou ainda que o Yahoo pode tentar processar Ma segundo a lei do Delaware, acrescentando que Ma teria de mostrar que a aquisição de um grande bem da sua própria empresa foi conduzida de forma justa. Entretanto, se de facto a Yahoo esteve em posição de impedir a transferência do Alipay, a própria Yahoo pode ser processada, segundo Mark Rifkin, sócio na Wolf, Haldenstein, Adler, Freeman & Herz. «Pode mesmo dar origem a uma queixa de accionista da Yahoo contra o Alibaba», tendo em conta a quota de 43%, referiu. Para Eric Jackson, disputas como estas podem refrear o entusiasmo dos investidores americanos por empresas sedeadas na China. «Penso definitivamente que pode assustar as pessoas», concluiu.