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Yay, os rapazes também se preocupam com moda

Porque «os meninos também têm direito a vestirem-se bem», Milena Melo criou, em 2015, a marca Yay. Inicialmente com foco nos acessórios de moda, a insígnia evoluiu para incluir também vestuário. Atualmente, dá os primeiros passos para se tornar internacional.

Alicia Lopes e Milena Melo

A marca que veste meninos dos 0 aos 12 anos surgiu para colmatar aquilo que Milena Melo considerava ser uma lacuna no mercado. «Eu sou mãe de rapazes, a Alicia também é mãe de dois rapazes e sempre sentimos que havia uma ausência muito grande de peças de moda para menino. Parece que a moda é quase um direito exclusivo das meninas. O mercado está agora a evoluir e a sociedade também para que os meninos também gostem do que vestem, se preocupem com aquilo que vestem», conta, ao Portugal Têxtil, a diretora criativa da Yay, Milena Melo, que agora gere a marca lado a lado com Alicia Lópes, diretora-executiva.

A própria designação da marca vai de encontro ao seu conceito. «É uma expressão em inglês que significa, de uma forma resumida, consegui. É também uma expressão de alegria, que tem a ver com o reforço da autoestima e concretização. No fundo, para nós, moda também é isso. É eu sentir-me bem comigo mesma. As meninas têm esse direito, os rapazes também», explica a diretora criativa.

Atualmente, a Yay não se limita aos acessórios, mas também não os abandonou totalmente. «Temos t-shirts, calções, calças, camisas… O vestuário evoluiu a pedido dos nossos clientes, porém, queremos ser também uma marca de acessórios. Os acessórios são peças que fazem qualquer visual se destacar e ficar diferente. Vai ser sempre uma aposta muito grande da nossa marca e vamos complementá-la com peças chave», revela Milena Melo. O vestuário da Yay, por sua vez, «não é básico», assegura a diretora criativa. «São sempre peças para encher os olhos, justamente porque não queremos ter uma linha de vestuário muito grande. Queremos ter sempre o complemento dos acessórios e vice-versa», afirma.

A aposta em matérias-primas sustentáveis e em peças confortáveis são outras das características da Yay. «Usamos sempre materiais orgânicos. A nossa ideia é mesmo essa de sustentabilidade. Uma das assinaturas da nossa marca é fazer roupa fashion e estilosa, mas sempre confortável, porque é para rapazes. Os rapazes querem ter estilo, mas também querem ter liberdade de movimento, poder brincar e estar confortáveis. Achamos que isso é possível. Hoje em dia é autorizado usar sapatilhas em quase todas as ocasiões e nós transportamos um bocadinho dessa tendência para a moda infantil», adianta a fundadora da Yay.

A sabedoria das crianças

A estrear-se na Pitti Bimbo para dar início ao seu processo de internacionalização, a Yay apresentou as suas propostas para a primavera-verão 2020 na coleção Playground Business.

«Nesta coleção, debruçámo-nos sobre a sabedoria do playground, que é tirarmos partido de algumas características que até são mais irritantes nas crianças: dizem aquilo que pensam, fazem o que têm vontade naquele momento… enfim, vivem de acordo com a verdade delas. Isto é algo que, à medida que vamos crescendo, temos que ir ajustando. No entanto, por vezes, ajustamos demais. Esta coleção serve para olharmos para os nossos filhos e para as crianças que nos rodeiam e lembrarmo-nos que temos de viver de acordo com a nossa verdade», desvenda Milena Melo.

Na Playground Business, a Yay introduz pela primeira vez fatos de banho e poliéster reciclado, obtido a partir de garrafas plásticas usadas. «Temos dois calções de banho nesse material. Temos também gabardines que são feitas a partir de garrafas de plástico», indica.

A iniciar a internacionalização

Apesar de a marca ter surgido em Lisboa, origem de Milena Melo, todas as peças da Yay são produzidas no norte de Portugal. «Houve a necessidade de termos um parceiro industrial. Foi nessa altura que a Alícia entrou no projeto», recorda. Nesse sentido, a Yay está atualmente integrada numa empresa têxtil. «A minha família é toda da área têxtil. A ideia é privilegiar a mão-de-obra local. Apostar no trabalho que temos em Portugal, que é de excelente qualidade, e também contribuir para o desenvolvimento do têxtil do país», esclarece Alicia Lópes.

Atualmente, a Yay vende maioritariamente online, apesar de já ter parceiros nacionais e internacionais. «Em Lisboa vamos vender a coleção outono/inverno na Organii, que tem lojas no Príncipe Real e no LX Factory, no final de agosto ou início de setembro. Internacionalmente vendemos na Suíça e na Suécia. Temos a nossa loja própria online e parceiros de lojas multimarcas, mas estamos abertos a todo o tipo de parcerias», garante Milene Melo.

Portugal é, para já, o principal destino das peças da Yay, mas o objetivo é chegar cada vez mais longe. «Gostávamos de poder espalhar, cada vez mais, a marca para países que se identifiquem com o nosso estilo», confessa Milena Melo. «Não temos nenhum mercado específico definido. O nosso objetivo é ter a marca no maior número de países possível. Essa é a ambição», conclui Alicia Lópes.