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Zara cotada em Madrid

A Inditex-Zara vai dispersar 26,09% do capital e cotar as suas acções na Bolsa de Madrid numa operação que tem como principal objectivo assegurar o futuro. «Vamos à bolsa por uma razão de continuidade. O presidente-fundador, Amancio Ortega, que detem 80% do capital, não poderá eternamente dedicar todo o seu tempo à empresa», explica José-María Castellano, o administrador delegado do gigante espanhol. Borja de la Cierva, director financeiro da Inditex, garante que ao contrário do que acontece com a esmagadora maioria das empresas que vendem acções no mercado, a Zara não faz esta operação para financiar a sua expansão: «Não temos necessidade de dinheiro, somos autónomos nesse ponto». O peso do endividamento líquido do grupo nos capitais próprios caiu de 17%, em 99, para 4%, no ano 2000, o que só pode entusiasmar os potenciais investidores. Os indicadores relativos ao último exercício, divulgados em Madrid numa sessão em que o misterioso Amancio Ortega não esteve presente, são todos eles entusiasmantes. As vendas consolidadas cresceram 28%, atingindo cerca de 520 milhões de contos, os lucros e o cash flow subiram 27%. Os números foram apresentados pelo administrador delegado, Castellano, ladeado pelo director financeiro, Cierva, e pelo director geral, Juan-Carlos Rodriguez Cebrian. As cinco cadeias – Zara, Pull & Bear, Massimo Dutti, Bershka e Stadivarius – da Inditex ultrapassaram o patamar das mil lojas, atingindo as 1080 no ano 2000, ou seja mais 158 do que no exercício anterior, o que quer dizer que o grupo galego está a abrir lojas ao ritmo alucinante de uma nova dia sim, dia não. A internacionalização do grupo também se acentuou. Pela primeira vez a maioria (52%) da facturação foi conseguida fora de Espanha. A base geográfica de actuação também aumentou. Em 1995 tinha lojas em nove países. O ano passado já estava presente em 33, tendo-se estreado na Dinamarca, Qatar, Áustria e Principado de Andorra.