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Zara enfrenta processo judicial

A retalhista espanhola está envolta num processo judicial interposto por um cliente que a acusa de praticar preços enganosos nos EUA. Depois das compras feitas numa loja Zara no estado da Califórnia, Devin Rose afirma que o preço foi inflacionado.

A ação judicial de 5 milhões de dólares (aproximadamente 4,4 milhões de euros) – com queixas de negligência, práticas comerciais desleais, enriquecimento injustificado e fraude –, submetida na sexta-feira (19 de agosto) por Devin Rose, declara que a Zara engana os consumidores norte-americanos com etiquetas de preços em euros que, quando convertidos, não correspondem ao valor em dólares pago na caixa.

Um porta-voz da retalhista espanhola reagiu de imediato, negando «veemente tais acusações», adianta o portal Just-style.

«Embora ainda não nos tenha chegado o processo com essas alegações infundadas, orgulhamo-nos do nosso compromisso fundamental com uma conduta transparente, honesta e ética para com os nossos clientes», afirma o porta-voz, que também se socorreu da plataforma da especialidade The Fashion Law para divulgar a defesa da marca face à discussão gerada nos últimos dias, acrescentando que a Zara continua focada em prestar um excelente serviço ao cliente, com produtos de moda de alta qualidade e que irá atempadamente defender-se, seguindo os trâmites legais.

Num exclusivo concedido ao The Fashion Law, um dos advogados de Devin Rose, Ben Meiselas, afirmou que espera que esta ação judicial «possa compelir a Zara a acabar com a prática de preços ilegais, cobrando significativamente mais em relação aos preços marcados nas suas etiquetas, o que tem feito com que os consumidores paguem, em média, entre 5 a 50 dólares mais por item e milhares de milhões de dólares no total».

O portal de tendências WGSN deu também conta desta notícia, lembrando que os preços entre os diferentes mercados internacionais acabam por variar não só devido à conversão das moedas, mas também como resultado de taxas de importação e custos de transporte.

Devin Rose, representado pela firma de advogados Geragos & Geragos, revela que as práticas de preços da Zara o levaram a pagar mais por três t-shirts compradas na loja de Sherman Oaks, na Califórnia, em maio último. A ação judicial refere que Rose foi «atraído pelo baixo custo destas peças de vestuário», cada uma etiquetada em 9,95 euros. Mas, para sua «consternação», na caixa foram-lhe cobrados 17,90 dólares por t-shirt.

As imagens das respetivas etiquetas e talão já foram divulgadas nas redes sociais. De acordo com Rose, quando questionou o funcionário sobre a discrepância, a explicação foi de que a diferença de preço se deveu à taxa de conversão de euros para dólares. No entanto, a firma Geragos & Geragos argumenta que, no momento da compra, a taxa de câmbio real euro-dólar teria convertido os 9,95 euros em 11,26 dólares e que, com isso, a Zara terá conseguido uma margem de lucro na ordem dos 60%.

Caso a retalhista seja considerada culpada das acusações de que é alvo, explica o Just-style, trata-se de uma violação da lei estadual e federal por «atrair os consumidores à caixa com preços mais baixos recorrendo a uma moeda estrangeira e sub-repticiamente impor uma marcação arbitrária sem fazer a apropriada, ou alguma, divulgação junto do consumidor».