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Zara inaugura nova era no retalho

O ponto de venda da principal marca da Inditex, que acaba de abrir em Londres, é um teste a um novo conceito de loja, cada vez com menos interação humana.

A nova loja da Zara em Londres é uma montra de novas tecnologias, com provadores digitais, em que os consumidores conseguem ver como é que determinada peça ficaria integrada num conjunto, braços robotizados entregam roupa em pontos para compras online e assistentes com iPads ajudam a escolher na Internet e a recolher mais tarde.

O porta-voz da espanhola Inditex, dona da marca, Jesus Echevarria Hernandez citado pela Bloomberg, adiantou que «os clientes não distinguem entre encomendar online ou numa loja. Temos que facilitar isto ao máximo».

O espaço, que abriu recentemente, mostra como os retalhistas estão cada vez mais a fundir as lojas físicas com o canal online, tentando acompanhar gigantes tecnológicos como a Amazon. E a Inditex acredita que este é apenas um primeiro exemplo de tecnologias que irá implementar por todo o mundo.

As compras online têm sido um dos pontos mais positivos para a Inditex, com vendas de comércio eletrónico a aumentar 41% no ano passado, em contraste com uma desaceleração das vendas em termos globais. A retalhista espanhola conseguiu ultrapassar outras marcas globais como a H&M e a Marks & Spencer, que foram mais lentas na aposta em operações online e estão agora em dificuldades para acompanhar.

A Amazon está a fazer o movimento contrário, com investimentos na sua presença física em retalho, incluindo a aquisição da Whole Foods e a abertura das lojas de conveniência Amazon Go, que usam inteligência artificial e câmaras no processo de checkout das compras. Por sua vez, a Walmart instalou torres para levantamento de encomendas em centenas de localizações.

A loja da Zara, que fica num centro comercial em Stratford, Londres, ocupa uma área total de 4.500 metros quadrados e permite que os clientes levantem as encomendas ou comprem roupas sem falar com ninguém.

As caixas de self checkout deixam que os compradores paguem com os seus telemóveis ou cartões de crédito. Os pontos que recebem as encomendas podem ter até 2.400 embalagens entre si e são completamente automatizados. O cliente passa o recibo num sensor, um braço robótico vai buscar a caixa apropriada e coloca-a de forma a que o cliente possa pegar nela.

Este formato permite à Inditex aumentar a eficiência depois das margens do grupo terem descido para o nível mais baixo em uma década.

Cada peça de roupa tem uma etiqueta com uma frequência de rádio. A tecnologia faz com que a Zara consiga fazer o inventário de uma loja em duas horas, uma redução de um processo que normalmente dura cerca de três dias. Esta loja foi escolhida para testar o processo, tendo em conta que, no Reino Unido, as compras online já representam 22% do total, em termos de retalho não-alimentar.