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Zara sem género

Em 2015, a febre “agender” fez sucumbir todos, do luxo – na Gucci – ao retalho – na Selfridges –, apenas com pequenas diferenças nos sintomas. Já 2016 marca a entrada da gigante do retalho europeu num universo de peças iguais, para o menino e para a menina.

O luxo antecipou a tendência no distante Le Smoking de Yves Saint Laurent, em 1966, sem que o mundo estivesse preparado para o receber. Todavia, entre coleções, passearam-se sempre propostas unissexo e, nos anos 80, Jean Paul Gaultier fez desfilar homens de saia.

A agora foi a vez da rainha da fast fashion ser apanhada pela nova vaga. A Zara acaba de lançar uma coleção de género neutro (“Ungendered” na designação original), com cerca de 20 peças. O algodão tem o papel principal e os tons neutros, com brancos, cinzas e azuis, marcam as propostas. Há casacos de capuz, camisas de denim e jeans e camisolas de corte reto.

Não obstante a cobertura mediática, a coleção minimalista e de pegada sportswear e as respetivas imagens da campanha não estão a ter o impacto desejado e muitos utilizadores das redes sociais mostram-se desagradados com a abordagem “aborrecida” e muito próxima de menswear da insígnia do grupo Inditex a uma tendência que tem cativado designers e marcas há várias estações – encaminhando homens e mulheres para a passerelle com peças que, à luz das conceções tradicionais, estão trocadas (ver Não generalizar).

Depois de ter lançado a linha desportiva “Sport” – com vestuário de corrida, ginástica, ioga, ténis e, até, tapetes e garrafas de água– ainda em fevereiro, a marca de eleição da fast fashion europeia e à conquista da China e dos EUA aventura-se, oficialmente, nas águas do sem género.

A galinha dos ovos de ouro de Amancio Ortega, ainda que tenha entrado tarde na corrida, fez da tendência coleção (e secção no website) e soube recuperar o tempo. A linha já está disponível nas lojas.