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Zara vale mais do que a Gucci

Recentemente, a casa de moda foi coroada como a marca mais valiosa de Itália, entre todos os sectores industriais. Contudo, o novo ranking das consultoras WPP e Kantar Millward Brown revela que a insígnia de fast fashion do grupo Inditex é mais valiosa do que a Gucci.

O ranking “BrandZ Top 30 Most Valuable Spanish Brands”, divulgado pelo portal WGSN, dá provas que a moda permanece essencial para o sul da Europa, sendo liderado pela Zara. Apesar de uma ligeira descida no valor, a marca espanhola vale 24,8 mil milhões de dólares (22,09 mil milhões de euros), mais do que a casa de moda italiana, que vale 24,41 milhões de dólares, a espanhola atinge os 24,8 mil milhões de dólares (22,09 milhões de euros).

A listagem teve como base a visão de cerca de 61.500 consumidores espanhóis acerca de 700 marcas, em mais de 49 categorias. No geral, as marcas presentes no top 30 registaram um crescimento de valor de 1% para 103, 9 mil milhões de dólares este ano. No entanto, houve várias insígnias que desafiaram a média. O banco espanhol CaixaBank (em 13º lugar com o valor de 1,7 mil milhões de dólares) registou o crescimento mais acentuado, de 36%, seguido da energética Repsol (em oitavo lugar, com o valor de 3 mil milhões de dólares) e da companhia aérea Iberia (em 25º lugar, a valer 430 milhões de dólares), já que ambas cresceram 19%.

A Zara manteve a sua posição de liderança em relação ao ano passado. O restante top cinco também não sofreu alterações, nomeadamente com a operadora de telecomunicações Movistar, o gigante bancário Santander, o grupo financeiro BBVA e a empresa energética Iberdrola,

Olhando só para a moda

A liderança da Zara reflete a sua importância no universo fast fashion. Contudo, a marca sofreu uma pequena diminuição no seu valor (-1%), ditando o rimo do resto do sector de vestuário, cujo valor baixou 6%. A quebra revela as dificuldades vividas atualmente no sector da moda, particularmente no segmento da fast fashion.

Massimo Dutti

Os investigadores explicam que as marcas espanholas de vestuário estão a sofrer com o impacto crescente da concorrência e as flutuações de câmbio, assim como o desafio contínuo de transferência das vendas para o mundo digital.

No entanto, a Inditex não parece estar a sofrer. O grupo não garantiu a presença de apenas uma marca no top 10 do ranking. A Massimo Dutti ficou em 9º lugar, valendo 2,2 mil milhões de dólares. Além disso, a marca com a melhor performance na categoria de vestuário, segundo as consultoras, foi outra insígnia do grupo Inditex: a Pull&Bear, que, em 11º lugar, subiu 5% em valor para 1,8 mil milhões de dólares.

Simpatia, diferença e confiança

No inquérito, foi pedido aos consumidores espanhóis para associarem 24 palavras positivas e negativas às marcas. As insígnias que foram identificados pelos consumidores espanhóis como “simpáticas” excederam a taxa média de crescimento em 5%. A Iberia foi percecionada como a marca mais “simpática” no top 30 espanhol, com 126 pontos, quando a média foi de 100.

Pull&Bear

O crescimento geral foi impulsionado pela perceção que os consumidores têm relativamente às marcas que consideram que se destacam dos rivais no sector. As marcas espanholas no ranking que foram identificadas pela palavra “diferença” tiveram uma média de valor de 6,9 mil milhões de dólares, comparado com 1,4 mil milhões de dólares daquelas com uma pontuação baixa.

Esta ano, também o fator confiança foi essencial. A confiança nas instituições e no governo diminuiu, «aumentando a necessidade de honestidade e transparência por parte das marcas espanholas – em particular porque a confiança tem uma ligação próxima com as recomendações –, que são cada vez mais importantes no mundo digital», indica relatório.

«Para os consumidores espanhóis, não só o preço é importante, mas também o valor das marcas que são reconhecidas por apoiar as comunidades e a contratação de cidadãos locais. As marcas devem maximizar a presença que têm em Espanha, aproveitar as oportunidades para gerar confiança e demonstrar a sua contribuição para o orgulho nacional», avisa Martin Wohlfart, diretor do departamento de gestão de clientes em Madrid da Kantar Millward Brown.