Início Notícias Vestuário

A corrida da Oldtrading rumo ao sportswear

Em 2008, a especialista em seamless foi criada a pensar no underwear, mas o sportswear é atualmente a grande aposta da empresa sediada em Vila Nova de Famalicão. Ainda este ano, a Oldtrading pretende criar uma marca própria dedicada à maternidade e conquistar o mercado alemão.

Apesar de a maior fatia da produção ainda pertencer ao underwear (60%), só em 2018 o sportswear cresceu 10% na empresa, representando agora cerca de 25% do que se produz na Oldtrading, segundo o seu CEO, Rui Gordalina. «Em 2019, acreditamos que vamos conseguir crescer mais 20%», revela, ao Portugal Têxtil, o CEO da empresa que, dentro de portas, conta «desde o desenvolvimento técnico, do layout da peça, do protótipo à tricotagem e algumas operações de costura. Só não temos a tinturaria, de resto, somos uma empresa quase vertical».

Precisamente de olhos postos no sportswear, a Oldtrading, que emprega 50 trabalhadores – dos quais seis se dedicam exclusivamente ao I&D –, está envolvida no projeto mobilizador TexBoost e, individualmente, num projeto de inovação produtiva, «onde se pretende reforçar e criar condições para potenciar produtos na área da compressão. O projeto surgiu da experiência dos últimos anos, com dois ou três clientes com exigências muito técnicas, designadamente para artigos para futebol e rugby, de produtos de alta compressão», explica Rui Gordalina.

O CEO destaca que a compressão localizada «é uma vantagem na alta competição, porque aumenta a circulação sanguínea o que, por sua vez, reduz a sensação do cansaço, o que potencia a performance». Neste projeto, incluiu-se ainda a compra de três novos teares «com características de última geração, preparados para trabalhar com elastano e fios especiais», adianta, num investimento que rondou os 300 mil euros, comparticipados pelo Portugal 2020.

Além do underwear e do sportswear, a Oldtrading também trabalha com os segmentos de modelação, casual e maternidade, numa estratégia dirigida para nichos de mercado. «Somos uma empresa orientada para o private label, aceitamos sempre desafios e projetos dos clientes que já tem marca e têm o canal comercial estabelecido. Ajudamos a desenvolver com o nosso know-how técnico e orientamos sempre todo o nosso foco para nichos de mercados, para marcas que estão a nascer agora, para projetos de empresas muito jovens. Não estamos preocupados com grandes estruturas nem com grandes empresas. Preferimos soluções à medida, encomendas mais modestas», acrescenta o CEO.

Uma marca própria para as mães

«Um dos segmentos que ainda está por explorar, principalmente em seamless, é o da maternidade», considera Rui Gordalina. Uma das metas para 2019 é, precisamente, criar uma marca própria para esse segmento. «Vamos realizar uma operação de marketing bem estruturada.

Produzindo para o casual, o sportswear e a modelação, ao criar uma marca para essas áreas, podíamos colidir com os nossos clientes, que já contam connosco. Trabalhando com a maternidade, o pré-mamã e o pós-mamã, reservamos para nós o desenvolvimento dessa área de negócio com a nossa marca», avança o CEO.

2019 de expansão e crescimento

A Oldtrading exporta 95% do que produz, essencialmente para os países nórdicos e para a Europa Central. Rui Gordalina admite que «há muita vontade de entrar na Alemanha. Curiosamente não temos nenhum cliente alemão. Temos clientes na Holanda, em Portugal, em Espanha, na França, na Bélgica, na Polónia, República Checa e depois temos os países nórdicos todos».

Uma das armas da Oldtrading para potenciar a exportação é a aposta na sustentabilidade, nomeadamente em fibras biodegradáveis. «Percebemos que, cada vez, mais os mercados mais exigentes, como norte da Europa, Austrália, EUA e Canadá, são cada vez mais sensíveis a esses temas e achamos que isso é um fator diferenciador», indica.

2018 foi «um ano interessante» para a Oldtrading. «Crescemos em valor, crescemos em qualidade, crescemos em quantidade, em número de clientes, em produtos novos.  Esse é caminho que estamos convencidíssimos que vai continuar a acontecer. No volume de negócios, tivemos uma quebra de 5% ou 6%, mas, em resultados operacionais crescemos 20%, que é o mais importante», elucida o CEO. Para esse crescimento contribuiu «o facto de a empresa passar a vender mais artigos com valor acrescentado do que artigos com menor valor acrescentado».

Em 2019, contudo, o objetivo é crescer em volume de negócios. «5% de crescimento é o que temos definido para este ano em relação ao ano anterior. Queremos continuar o caminho de incorporação de clientes com produtos técnicos. Em 2018 atingimos os 800 mil euros em produtos técnicos, e acreditamos que, este ano, vamos talvez atingir um milhão de euros só em produtos técnicos», conclui Rui Gordalina.