Início Destaques

Tintex em modo Raw e digital

Raw foi o mote para a criação da coleção da especialista em malhas para o outono-inverno 2021/2022, apresentada online, em iniciativas distintas, aos clientes nacionais e internacionais. Uma reinvenção da Tintex, que, apesar da incerteza e dos altos e baixos, mantém, nesta altura, a atividade quase normal.

Ricardo Silva

O regresso à natureza e às origens serviu de inspiração para a nova coleção, que reflete o mundo atual nas suas diferentes vertentes. «Ao pensar no que acontece à nossa volta no mundo, enquanto planeta e indivíduos, numa era de desafios imprevisíveis, temos de ser criativos a reinventar-nos todos os dias de formas diferentes, conscientes de uma nova sociedade e de uma nova forma de consumir onde o ambiente e as necessidades humanas contam», justifica a Tintex.

Tecnologia [©Tintex]
Performance [©Tintex]
Reutilização [©Tintex]
Foi isso mesmo que a empresa fez nos últimos meses e a coleção para o outono-inverno 2021/2022 não é exceção. «A coleção é mais curta do que o normal, mas também já é a nossa estratégia reduzir a coleção para itens mais especializados e específicos, para não ser demasiada coisa – e isso foi bem recebido», afirma o administrador Ricardo Silva ao Portugal Têxtil.

A coleção está dividida em três conceitos: Tecnologia, Performance e Reutilização. O primeiro sugere artigos com técnicas de revestimentos e acabamentos responsáveis, em combinação com a tecnologia de tingimento natural Colorau. Neste conceito inclui-se, por exemplo, malhas em algodão orgânico, produzido na Europa, com toque de couro ou com um brilho ligeiro e o conforto e suavidade do acabamento Plummy.

No conceito Performance constam malhas piqué em algodão orgânico, produzido na Europa, com acabamentos funcionais antiodor e gestão de humidade e malhas com poliamida 6.6 sustentável e fio de elastano reciclado premium Roica EF da Asahi Kasei, também com gestão de humidade e outros acabamentos funcionais.

O último conceito apresenta soluções circulares com um aspeto vintage, como é o caso da malha com os fios Ecotec da Marchi & Fildi e do Eco Heather da portuguesa Tearfil.

Diferenciar online

Com as feiras canceladas, a apresentação da coleção para a estação fria do próximo ano tem sido feita com recurso a ferramentas online, mas com um twist. Num primeiro momento, as propostas foram mostradas pela equipa de desenvolvimento de produto, que criou a coleção, num webinar onde participaram clientes nacionais, sobretudo da indústria, e internacionais, neste caso mais designers e marcas. «Fomos desdobrando cada uma das malhas e explicando os detalhes técnicos de cada uma», explica Ricardo Silva.

[©Tintex]
O webinar serviu também para fazer um novo convite para uma experiência diferente: um unboxing. Cerca de 40 clientes e interessados receberam uma caixa com as amostras, que abriram ao mesmo tempo que a equipa comercial da Tintex explicava, por meios digitais, como o Instagram Direct, cada um dos materiais. «Foi uma experiência muito boa. Primeiro, face às expectativas que existiam para a altura, ninguém estava à espera de fazer nada nem receber nada. Não há feiras, não há contactos… A maioria das empresas tem recebido as amostras e pronto, talvez um telefonema ou outro. Neste caso foi muito mais intimista e personalizado e por isso foi muito bem recebido», revela o administrador da Tintex, que disponibiliza também vendas online através do seu website.

Produção estabiliza

Um passo para manter o negócio mais dinâmico, numa altura em que a atividade da indústria têxtil e vestuário em Portugal, e da Tintex também, tem sentido altos e baixos. «Na primeira vaga conseguimos compensar a queda abrupta da moda com as máscaras. Em setembro voltou a moda, houve um pico ascendente do negócio tradicional até outubro, e atualmente continua mais ou menos nesse patamar. Nota-se uma descida agora no fim do ano, mas é normal», reconhece Ricardo Silva.

Para o ano completo, contudo, a Tintex antecipa uma redução «entre 10% e 15%» no volume de negócios. «Não conseguimos compensar o atraso todo [do início do ano]», assume o administrador, que não deixa de realçar a incerteza que se vive no sector. «O que me preocupa são os próximos meses. Com a segunda vaga, o que vai acontecer? Vai provavelmente haver uma recaída, como houve nos meses de março, abril, maio e junho. Não sabemos», admite.

Ainda assim, a empresa, que emprega 133 pessoas, está a crescer e, nesta fase, encontra-se inclusive a contratar para a área comercial e produtiva. «Queremos terminar o ano acima dos 137 [colaboradores]», aponta Ricardo Silva.