Início Notícias Retalho

Retalho britânico em mutação

Com o impacto da pandemia, que acelerou a mudança da indústria da moda para o digital, as retalhistas online Boohoo e Asos optaram por investir na Debenhams e na Arcadia, respetivamente. Os negócios fizeram escalar as ações, mas a perda de dezenas de milhares de empregos é uma preocupação.

[© Reuters]

Embora a internet tenha reformulado o retalho britânico e a indústria de moda, as restrições da pandemia para conter a propagação do vírus impulsionaram ainda mais a mudança para as compras feitas a partir de casa.

Criadas em 2000 e 2006, respetivamente, a Asos e a Boohoo são os maiores casos de sucesso no comércio eletrónico britânico e foram projetadas idealmente para atingir uma geração de consumidores que compra cada vez mais através do telemóvel e conectada com as redes sociais.

A Asos quadruplicou o lucro do ano financeiro de 2019-2020 e a Boohoo aumentou 51% o lucro do primeiro semestre, mesmo com a publicidade negativa na sua cadeia de aprovisionamento. A capitalização em bolsa das retalhistas cresceu, respetivamente, 4,8 mil milhões de libras (5,43 mil milhões de euros) e 4,2 mil milhões de libras.

Por outro lado, a Debenhams e a Arcadia, cujas lojas têm uma presença significativa nas ruas comerciais britânicas, entraram em insolvência no ano passado e deixaram, por isso, 25 mil postos de trabalho em risco. Neste sentido, a Boohoo anunciou ter comprado a Debenhams e outros ativos do negócio, incluindo todas as marcas e websites próprios, num acordo que se concretizou por 55 milhões de libras. Contudo, o negócio com os administradores da Debenhams, a FRP Advisory, não engloba nenhuma as 124 lojas da rede ou a preservação de postos de trabalho.

A Debenhams entrou em insolvência em abril último e, no mês passado, iniciou um processo de liquidação que afeta 12 mil empregos, segundo informações do FRP Advisory.

De acordo com os administradores, apesar das lojas Debenhams estarem fechadas dada a situação de pandemia, assim que seja possível reabertura das mesmas, o stock será liquidado, antes do encerramento permanente.

[©Retail Gazette]
«A aquisição da marca Debenhams é um desenvolvimento importante para o grupo, porque queremos captar oportunidades de crescimento incrementais decorrentes da mudança acelerada para o retalho online», explica John Lyttle, presidente-executivo da Boohoo, acrescentando que o acordo vai permitir que a marca se expanda para novas categorias, incluindo beleza ou artigos para a casa.

Com o negócio, as ações da Boohoo subiram 4,4%.

Oportunidades fortes

A Asos revelou também estar em negociações exclusivas com os administradores do grupo Arcadia, com o objetivo de adquirir as marcas Topshop, Topman, Miss Selfridge e HIIT. O grupo decretou insolvência em novembro, colocando mais de 13 mil postos de trabalho em risco.

«O conselho acredita que isso representa uma oportunidade apelativa para adquirir marcas fortes que ecoam bem através da base de clientes da empresa», justifica a Asos, citada pela Reuters. Como consequência, as ações da Asos cresceram 5,2%,

[©Retail Gazette]

A Sky News aponta, inclusive, que a Asos pode pagar mais de 250 milhões de libras pela marca Topshop.

Com o elevado risco da perda de um número significativo de empregos, o sindicato Usdaw pediu que fossem implementadas medidas urgente no Reino Unido para «salvar as ruas principais», salientado os 20 mil encerramentos de espaços físicos e as 180 mil perdes de postos de trabalho no retalho só no ano passado.