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Riopele soma vitórias

Os esforços da empresa têxtil na área da sustentabilidade colheram frutos em 2018. Além do investimento em painéis fotovoltaicos, a Riopele viu o projeto Tenowa distinguido pela COTEC com o Prémio Produto Inovação 2018 e garantiu mais um ano de crescimento.

«Foi um bom ano», confirma José Alexandre Oliveira ao Jornal Têxtil. Segundo o presidente da Riopele, «circunstâncias que não dependem de nós, como as condições climatéricas, influenciam muito as vendas dos nossos clientes, mas mesmo assim conseguimos atingir os nossos objetivos», explica, adiantando que o volume de negócios da empresa rondará, em 2018, os 75 milhões de euros.

O ano de 2018 será, por isso, de boa memória para a história já de 91 anos da empresa têxtil fundada por José Dias Oliveira em 1927. Durante o open-day, que decorreu a 20 de março e contou com presença da então Secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, a Riopele apresentou algumas das inovações que tem trabalhado nos últimos anos, em parceria com o Citeve, o CeNTI e várias instituições de ensino superior, nomeadamente o projeto Nano.Smart, cujo objetivo é facilitar a limpeza dos tecidos e conferir boa solidez à cor, o projeto mobilizador TexBoost, onde está empenhada na economia circular, e o R4Textiles, que deu origem à Tenowa.

Esta marca, de resto, garantiu à Riopele o Prémio Produto Inovação 2018 da COTEC. A Tenowa reutiliza os restos de fios e tecidos da empresa para desenvolver novos tecidos, que têm associados acabamentos funcionais com base em desperdícios da indústria agroalimentar.

Investimento em painéis fotovoltaicos

A sustentabilidade tem sido uma aposta forte da empresa, que só nos últimos 12 meses investiu 800 mil euros na construção de uma central fotovoltaica, exclusivamente para autoconsumo. O projeto possibilitará a produção de uma percentagem significativa da energia elétrica necessária ao funcionamento de uma das suas unidades produtivas de fiação.

No total, serão instalados 2.940 módulos fotovoltaicos, montados sobre estruturas fixas, numa área de implantação de cerca de 1,5 hectares. Com uma potência instalada de 1 MW, a nova central solar irá produzir anualmente cerca de 1.465 MWh, representando uma poupança estimada de 14% da fatura de energia elétrica desta unidade produtiva e a redução da emissão de 689 toneladas de CO2 por ano.

«A questão da sustentabilidade já é uma verdade hoje e, por isso, continuará a ser. Evidentemente que não é uma coisa que se possa fazer numa estação ou mesmo em duas estações, mas o que é preciso é começar. E a Riopele começou», afirma José Alexandre Oliveira.

Além deste projeto de energia solar e da marca Tenowa, a Riopele está igualmente empenhada na reutilização de águas residuais. «Recuperamos cada vez mais a água, o que significa que estamos a consumir menos. Recuperamos, tratamos e reutilizamos e isso é bom para o ambiente e é bom para todos nós», considera o presidente.

Os investimentos do grupo atingiram no total, em 2018, cinco milhões de euros. «Além dos painéis fotovoltaicos, investimos um pouco por toda a fábrica. A dimensão da Riopele obriga a que se invista em quase todos os sectores para se estar atualizado», reconhece José Alexandre Oliveira, que, no entanto, acredita que a verticalidade da empresa é uma mais-valia. «Sempre defendi a verticalidade, sempre quis, e consegui, manter a empresa vertical. Continuamos, por isso, a ter coisas que outros abandonaram, como seja a fiação e todo o processo, hoje até à peça confecionada», admite.

Novos desafios no horizonte

Quanto a 2019, o presidente da Riopele antecipa alguns desafios para os próximos 12 meses.

«É um ano que não estou a pensar apenas agora, diria que já o estou a pensar desde as férias de verão e é um ano em que antevejo, e cada vez mais, por todos os fatores económicos que não dependem de nós, como um ano desafiante. Há também as questões climatéricas e outros fatores – veja-se o que se passou neste mês de dezembro em Paris, que todos os fins de semana as lojas estiveram fechadas. Isso influencia muito o negócio. E há também a questão das tarifas aduaneiras entre os EUA e a China, não é que estejam em aplicação ou até que venham a ser aplicadas, mas só o facto de se falar em certas coisas – hoje está-se na onda das falsas notícias – assusta um bocado as pessoas», conclui José Alexandre Oliveira.